Segue aqui a versão final do conceito da coleção Conexões Humanas. Já que o processo seletivo do FAAP Moda '10 encerrou, posso publicar. Direitos reservados hein. Foto: Mara Marsal.
Metrô Sé, segunda-feira, 18 horas. Cada passageiro espera na massa sua vez de passar pelos bloqueios, se evitam. Um pensamento: “as pessoas vivem em realidades distintas, deve haver um meio de conectá-las”.
O que conecta as pessoas? Universos paralelos, por que não congruentes? Há como transpor a barreira da não-comunicação? São tão distintos assim? A resposta vem de Clarice Lispector, que começa o livro A Hora da Estrela dizendo: “tudo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida”. O primordial na comunicação é o desejo de ligar-se a outro ser humano, a vontade de encontrar um semelhante, não importa como.
É preciso permitir-se ao contato, sem intermédios. Celulares, computadores, os aparelhos falham, pois foram inventados por um humano que não sabe se comunicar. Não sabe apenas dizer o que pensa e sente. Coloca seus fones de ouvido, óculos escuros e tranca-se numa cápsula. Diz um grande “não” ao que está ao redor.
Insistindo em Clarice, reivindico o “direito ao grito” contra essa tecnologia falha: é explosão, raiva, dizer. Por menos telas em nossas vidas! O abraço, o beijo, o ato de dar as mãos. Coisas simples, conexão intensa e verdadeira. O “plug” do corpo é a mão, parte que troca energia. Os olhos que não deixam mentir, o abraço sincero. Quantos metros nos separam?
Avenida Paulista, domingo ensolarado. Drummond: “Uma flor furou o asfalto! É feia, mas é uma flor”. Quando as mãos se tocam, quando os lábios se encontram, quando os corpos se envolvem, “tudo começou com um sim”. O padrão geométrico duro da cidade ganha linhas curvilíneas, sorriso, expressão facial, tato, contato. E um apelo: “mais amor por favor”.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Conexões humanas - um olhar para o "sim"
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