sábado, 5 de junho de 2010

Vamos criar um veredicto!

Vamos criar um veredicto!

Desde o início, sabia que essa coleção minimalista não se realizaria. Não consigo abandonar a formalidade inversa à conversa em que tudo se vomita, tudo se joga, de nada importa a poesia. O que me realiza é ver a poesia no produto, seja o texto, seja o tecido ou o som. Algo daquele ideal atravessou a realidade. Realidade que não corresponde ao que previ. Tempo que não se desdobra em mais horas, cálculos não tão exatos para fazer caber muitos litros em um metro cúbico. Não cabe.

Invejo aquelas que escrevem na terceira pessoa. Mais admiro do que invejo, porque é apaixonante a inalcançabilidade daquela moça que procura seu chá, que toma seu café com pose de menina saltitante de vestido florido. A imagem! Ela é apaixonante. Sugadora, ilusão de supermassive blackhole, quase estonteante. A pergunta é: o que faço? A resposta... nada.

Não movo uma palha, não crio um stencil, nenhuma estampa. Acredito que não tenho o que expressar, mas tenho. Muita indiferença, a raiva de sempre, a agonia, a vontade de sobreviver à cilada em que me coloquei. Sempre vontade, nunca ação. A filosofia da ação. Uma coisa levando à outra. O Dostoievski adiado, a facilidade que seria justamente porque seria. Se É, a dificuldade surge. É medo da burocracia, minha burocracia, medo do novo que julgo.

Julgo meu novo antes de começá-lo. Não tenho gosto exatamente pelo exótico, mas pelo intenso, acho. Se tem intensidade, é verdadeiro e belo, sinal verde, livre passagem. Preciso de furar a carne não porque é doído, mas pelo [me foge a palavra] tocar na alma do fio de cobre recapado pelo plástico. Está incluído no prazer estético o ponto de partida. A decisão, a consequência, o plano, o prazer, o fazer, o sempre querer, e sempre estou lá...

...refletindo sobre o que mesmo?

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