sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Manual de como fazer 15 coisas ao mesmo tempo

Reflection (ler comentários): http://www.youtube.com/watch?v=6Cf7IL_eZ38

O criativo se liberta, prevê, profetiza, propõe, o marketing ajuda, faz tudo se tornar uma boa ideia, abre caminhos e possibilidades, oportunidades. Em contrapartida, a consciência súbita - do eco design, dos problemas sociais, dos males do planeta, da sustentabilidade, da desaceleração, da revisão dos conceitos de consumo e progresso - não pode se dar ao luxo de criar sem consequências, e sem pensar em todos esses fatores antes de propor uma ideia inovadora. Então, a inovação cai numa armadilha feita por ela mesma: o sustentável foi mostrado, nos últimos tempos, como novidade, e que novidade vem após o sustentável sem dizer que perdeu a ética?

O próprio fato de ter de haver a inserção de uma novidade periga frente à sustentabilidade, pois é mais um acúmulo, ao mesmo tempo que é também uma chance de descobrir um meio de enfrentar esse acúmulo. Conflito cruel, desafio. " Um projeto nos leva adiante (...), e só depois de termos triunfado tecnicamente que nos perguntamos o que fazer dele." Triunfamos tecnicamente e criativamente, e a pergunta que não cala: o que vale mais, o triunfo ou o altruísmo de pensar num futuro menos ruim?

Depende do caminho que se escolhe. Lipovetsky escolhe a felicidade paradoxal. Jum Nakao escolhe derrubar a tenda do circo e formar "pessoas melhores". Thierry Kazazian escolhe "a idade das coisas leves". Outros escolhem chocar esteticamente, outros escolhem a inovação por si opening-minds. Os 15 lados das coisas...

Sobre fazer 15 coisas ao mesmo tempo, não considero esse assunto só uma dessas coisas, mas como uma grande porcentagem do que move o conjunto. A porcentagem menor pode ficar com histórias pra contar, contratos, burocracias e convenções sociais cotidianas como acordar sempre no mesmo horário e comparecer aos locais de trabalho.

Me divirto tirando fotos, catalogando, movimentando projetos, caçando imagens e informações - a parte de comparecer é um ritual que se deve seguir, toma tempo, mas existe para que possa me divertir. A reflexão é que não passa, grita dentro do corpo pedindo tempo, essa preocupação com os rumos e as pessoas e as coisas todas para aprender. É difícil desligar o tempo, que se divide em frações cada vez menores. Digerir rápido prazos e projetos, manter a qualidade, manter o ideal, manter a sanidade, manter as mãos no volante, largar tudo no final de semana e voltar previsivelmente na segunda.

Esforço para se manter acordada! Não só. Acordada e pensante, com umas 30 pessoas testando sua sanidade todas as horas do dia. Cada vez mais, figas para o "dar certo". Voos solos, nevermore...!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não é muito bonito juntar "estou" e "ferrando", mas fora o desgosto pela humanidade e os poderiam-ter-acontecido, estou me ferrando feliz!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Infelicidade paradoxal

Seria mentira dizer que estou bem. Mando notícias do mundo infelizmente-paradoxal.

Quebraram meu sofá! Me tiraram o sono e o lugar onde dormir, tanto teto pra nada. Mentira de novo dizer que todo o medo de cá é misto com o de lá, que minhas várias angústias momentâneas são a mesma, que o mal é existir.

Escolhi apenas ser, o que por si só e apenas ser é fácil. Porém não posso escolher ser pelos outros, ou ser sem os outros, não posso mais. Sofro calada, dores de cabeça frequentes, corpo sem suporte. É preciso manter a sanidade. Sim, esta é uma afirmação e não uma pergunta. A loucura será um luxo daqui em diante...

Me inspiro na autoridade, brigo com quem devo brigar, falo sem dó, defino meu espaço, eficiência e eficácia. Só na imaginação... e imagino conversas inteiras enquanto elas deveriam estar acontecendo. Aproveite suas chances, seu tempo, viva mais e melhor, não quebre a cabeça à toa. E, por fim, grite um "tudo vai dar certo!". Fé na vida, é mesmo? Se na vida não se encontrasse gente parada e descrente, desgostosa em te ver.

Casa abafada, barulho constante, poluem meu ouvido, nariz, garganta, cansa o corpo, torce o estômago, me cobram a sanidade disfarçada de simpatia. Choro menos pelo medo e mais pela irritação. O medo desaparece durante a queda. Ano que começa cheio de perdas, promete novas fases e constância, ares de consolidação, mas de distância. Dessa vez não é o vazio, é o cheio de tristeza. Água transbordando, derrubando, avisando, ensinando, mas nunca se aprende, se repetem os erros dos humanos, se revolta a água dos olhos e chora tudo de novo.

Celebro a democracia, o lazer, a falta de tempo, o stress, a hora de almoço, o sol da construção, o maldito barulho do trem, as mudanças programadas, os novos laços. Me apaixono pelo Sony Vaio, durmo às noites, encosto-o num canto, não me automedico sem controle. A política é não medir esforços, e não deixar metade da vida de lado. Quase toda a roupa sem lavar, calar, dormir nos intervalos, esquecer de nada. Guardo tudo e tanto que já não tem mais espaço no metro quadrado, saio transbordando desalegria.

Uma equipe de peças apoiadas umas nas outras, cada uma com menos força que a outra, ainda com energias para manter. Eis que cai um raio em uma das peças, todos se mobilizam para apoiá-la, mais do que podem, se tornam vulneráveis. Entra outro grupo de peças, apóia o grupo enfraquecido, apresenta-se solidário, sempre diz bom-dia, mostra preocupação ao amigo, mas o está apoiando de costas apenas com uma parte do pé. Não pode nem lhe interessa fazer mais do que isso. E nós, com fé, colocamos o corpo inteiro no jogo, sem desconfiar.

É pra ser sofrido mesmo, estamos ferrados!