domingo, 28 de dezembro de 2008

Um diálogo talvez...

Bem... assim é mais fácil. Parece. Só dizer, conversar. Fim da preocupação. Começo da outra. Pergunte uma coisa e respondo oito mil. Duzentas. Ah, números! voltem a ser minha paixão. Mas parece que a inspiração não está em momentos felizes. Mas nada. Acredito mesmo! Sem ironia.

Nada me atormenta. Não que me lembre o tempo todo. Saudade? Sim. É bom, é amor, da forma que for. Medo de acabar, invasão. Sem futuro, ainda está tudo bem. Eles chamam: todos a bordo! Um pedaço, uma jovem titã, que imaginação.

Então, o Romantismo, Realismo, Modernismo e, por último, Egoísmo. Derivaram-se de diversos tempos esses autores. Agora, estão em movimento de síntese e introspecção. O diálogo dá-se no formato "eu x você(s)", e aí estamos consumindo. Vendamo-nos para o "me", tal brinquedo torto. Eu me vendo!

E volto para aquela pergunta inicial, com a qual faço questão de não me importar. Mesmo achando que todo invento é um passar de tempo, passo porque quero estar, buscar porquês sabendo o porquê. Confundir tudo! Estou aqui, pronta e desprevenida. Quero transbordar.

É preciso falar. Eu preciso falar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Perdendo o controle

O escritor escreve para o que deseja, só fala daquilo que quer. Quando não, é a máscara. Put me down, please.

Os fracos escrevemos com garra, buscamos objetividade, mal resolvidos. Aqueles corajosos mostram as fragilidades, inventam algumas também. De invenções vive a mente. Seguinte.

Não quero um amor pra vida toda, nem a monogamia... Não quero viver de lembrar o momento em que a conheci, vangloriar-me ou envergonhar-me das atitudes passadas. Chega também do futuro grande e promissor. Por que não fui Tom Waits tudo bem consigo e fora do business? Não quero um laço porque tenho medo, mas quero muitos com meus medos quebrados.

Tha, você está aí? Mah, está? Estou subvertendo minha própria linguagem e formato. De volta. A tranqüilidade dele me irrita, morro de inveja! Confessaria por mim que tenho uma verdadeira selva de pelúcia na cabeceira da cama. O leão, o tucano e outros elementos de poder. Aquele vagabundo rosinha costurado pseudo-lutador é minha face brava e invejosa.

Amo o gato porque amo o poder e a independência. Ela não parece possível e almejo. Quero sempre passar por cima, fazer o impossível, descobrir o que ele é. Alguéns consideram grande personalidade, mas é tão egocêntrica e dói. É só a meta da personalidade. Maior atuação não tem.

Aquela moral fatigada não me deixa admitir que adoro ser jogada ao chão. E nunca sei: ela é baseada em quê, meu coração? Mania de rachar os ossos, no fundo nem é por mim. Demonstrar força é ainda a esperança de melhorar o outro. Por que não me acho? Criei pudor no papel.

Distancio-me cada vez mais da profundeza. Cada nova confissão é uma camada e outra, não chega a alma do filete. É pra isso o silêncio. Às vezes vergonha, às vezes concentração. Permita-me. Pode fazer o silêncio também, depois explicá-lo, comunicar mesmo sem palavras. Nunca dirão mesmo.

Esse é e é e é um pensamento subjetivo, com dificuldade. Duvido da capacidade do papel, tenho medo de detoná-lo com meus desejos submissos à moral. Os beijos que quero, as formas corporais com que me deparo, a voz Cat Power. Digo quantas vezes for preciso, até me acreditar: quero um grande sim, tenho-o guardado e vou gritá-lo. Em tom cada vez mais alto e resmungado.

Busco a rosa anti-euclidiana, paradoxalmente platônica. E daí? O vermelho impressionante da intensidade, indissolúvel. O da bandeira japonesa, do infravermelho. Não-fator-amenizante. Busco a alternância entre o sentir e o sentir e o sentir. Quantas vezes? Teste publicar. Tudo escrito sempre vai passar por esse teste. É inevitável até na hora de criar as palavras. O controle vem antes.

Vou viajar quilômetros, andar dentro de mim... Entre o verde e o vermelho. Gosto tanto das cores por cobrirem a transparência, exagero na metáfora. Pois quero esquecer os aldeídos e as fórmulas, as grafias e as logias. Ainda uso a pior forma de dizer, mas digo. Entendo? Compreendo? São diferentes. Logo volto a repetir que quero e quero e quero publicar. Finalizar a página, até a última linha, como se fosse só isso a dizer.

Sempre haverá muito mais a desejar...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Exercício de Despimento

Por favor, mim. Deixe-me despir. Contenha o sono.

Platônica sim! Confio no que não vejo, quero o invisível, subjetivo e inexistente. Tão inexistente? Distante, Mundo das Idéias. De novo quero confessar, não paixão. O sentimento da vez é o desejo. A Física, proximidade, pensar do corpo. Dizer um grande sim, dar de cara no chão, continuar sentindo que ele é enérgico.

As primeiras tentativas não são muito bem sucedidas... Menos sinto do que penso. Vejo parte do meu corpo, que resiste. Não é possível ficar, sem surpresa. Eu, Ela, o Peixe, as outras elas e peixes. Há o sexo sem a alma e há com. Imaginação com e realidade sem. Às vezes, intersecção.

Uma, duas a mais. Não quero contar, vou dizer. Te conto o que quiser, o que doer até onde agüentar. É uma voz perdida, um voador de gênero qualquer. Aquele específico do mistério, como foi Susan Mk sp. Como foram Maha Maya e a cabeça baixa na pista de dança. Som, voz, música, Bells.

A cidade, a luz e o calor. Perto, tão perto o amor e o desejo. E vários longes. Uma única, uh... Inevitável esquecer, ciúme. Entenda o calor e o quilômetro. O teatro logo ali, acabar num tango completamente desargentino, neo-drama... Abstrato e material, por que dois? Mero par coincidente. Realizar independe de qualquer. Sim, sim, sim! Eu pergunto, arrisco, obtenho resposta. É certo.

T. existe? S. existe? Que seja um café, pensamento expresso. Não pude ter sido tão tangente!

Sem motivo. Quero!

domingo, 2 de novembro de 2008

Formas-me

"Com quantas peças se forma uma pessoa? Você gostaria de ajudar a formar essa pessoa?"



Observar, andar. Bom dia, boa noite. Bom dia aos mortos. Ofensa. Finados. Cores e diversão. Não um dia tão bom. Acúmulo... Ainda é hoje, não amanhã.

Serei eu a torta ou as outras pessoas é que não têm mais jeito? Elas querem ser formadas por seus hábitos, rotinas e drogas? Sinto-me uma estranha no inferno. Inferno tão doce como vida de crianças, brincadeiras. Formam-se em suas rotinas em movimentos de pega-pega e pique-esconde. Caça a si mesmo. Ninguém sai do esconderijo, o si mesmo.

A propósito, bom dia de Finados, seus mortos!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Leitor...

Por que falo sozinha? Porque me impus - ou impuseram - os "Escolhidos".

É tão bom o diálogo e a discordância. Não tenho sede do coletivo, apenas quero a miscelânea com que sonho. Aquele lugar onde tudo tão diverso se confunde tornando-se um só. Fragmentos, poesia, conversa, várias cabeças. Quer escrever para mim? Não para mim-o-rei. Sim comigo.

Você mesmo que está lendo, por que só lê? O que pensa? Onde estão seus pensamentos? Sei que eles não são anônimos. Se quiser ser, apenas complete-me, interaja, viva. Tenho sede da sua palavra. Quero sugá-la e devolvê-la. Ajudo?

Confesse-se. Abra a porta e apague a luz. Quero observar seus gestos sob o vulto. Você, dono da cumplicidade, cabelo branco no escuro, orquestra de violinos, venha. Ferreiros, atrizes, tigres e tigresas. Animais de todas as espécies, neurônios aflitos, corações partidos. Quero-vos!

Pergunte-me, responda-me, preveja-me. Veja que sou apenas pistas sobre você. Não quero ser mais ninguém. Eu não escrevo, quem faz estas palavras é você. Do outro lado, pensando... Só crendo que você existe me motivo a dizer: te conheço. Não tanto, então diga o quanto.

Retruque minhas pálidas metáforas, desvio da realidade. Escolha-se. Quero brigar, convergir! Explosão de você. Tom de pronunciamento, decreto. Use o tom que quiser. Ignore estas regras e a minha presença. Não preciso dizer quando é sua vez, é sempre e toda hora.

Medo? Mais provoco do que tenho, mas ainda tenho. Não mais de você, leitor barato! Xingue-me o quanto quiser, é o maior prazer. Te odeio por não dizer o que pensa. E amo por estar aí. Não procure entender minha relutância - essa não é uma declaração de amores por vocês. Por que tão distante? Olá, até nunca mais. Sem qualificações...

Fala, fiadamãe!

sábado, 11 de outubro de 2008

Continua...

"alimentos plásticos", "arara é uma ana", "doenças virais", "jornal do aluno" química, "mas é que as pedras não são poetas", "mas é que as pedras não são poetas" poemas completos, "o que as palavras não dizem", "obtenção de neônio", "oxigênio liquefeito", "religião tami", "são paulo faz escola", aladi, alberto caeiro, alca, alimentos plásticos, amazônia azul, anáfora, apec, arara ana gramática, arara ovo gramática, assunto de meninas, augusta, bairro da lapa sp, baleno, belo, bello, bivouac, bivouac virada, bloco econômico ásia, blocos econômicos, blocos econômicos benelux, blog, blogs, blondie, bluetooth, bovespa, bovespa união, bubu lounge, canja virada, casper líbero, caxumba, ccsp, cefalexina, centro cultural são paulo, clarinete, código html redirecionamento, Comesa, composição do ar, comunicação e multimeios, conflitos no Tibet, caneta, cotação do euro, criptônio, crise nos eua, cruisin, curso objetivo, deserção, deserção dicionário, desfaz escola, deuzita, dirce, dirceu, doenças virais, edilaine, educarede, equilíbrio químico, escola, escrever ao contrario, escrever ao contrario gramática, estado natural do n, estado novo getulio vargas, faith no more, fe, feedburner, fernando pessoa, fernando pessoa wiipedia, florbela espanca

Inove,

Inove. Inove. Inove. Inove... Ande com pessoas mais novas, dialogue internamente. Inove. Na química, no beijo. No parâmetro social, poema concreto e na forma. A preferência, inovadora. Viaje, volte, rejeite-se. Ordem. Desmando. ARGH!

Novo na teoria. Mudança e continuidade. Vender o trabalho? Mercado de trabalho é a expressão mais opressora, inclui o corpo. Fale dormindo. A voz flui. Ela dilui a originalidade do sentir. Desconectar. Construir. Neo-nada, des-nada. Nova onda.

Nove vezes. Explore. Vozes ou meses. Não! Certo uma sinfonia. Tal.

O ritmo dá a falta de mudança. O teclado tec! tec! tec! Volta aos elementos misteriosos. Torne universal. Zuzan, Citizen, Ane... avatar. Ciúme. Fuga, o chocolate. Crie a embalagem. Será como o Black. Jabá. Pistas, chega.

Que vínculos, passado? Que rosas que falam? Receptáculo. Deceptacon. Que língua falo? Bicha, bichete. Ansiosa. Tempo, tec! Qual o tic? Abre. Fecha. Solta. Abafa o tac. Sempre verde e ouro.

Comida. Roupa íntima sugestiva. Comidinhas... Não há o que achar promíscuo. Imoral. Droga. Ou drogas. Também não são. É o chocolate delas. E o meu? Essas letras. Não há blog sem "eu". Exceto nada. Sem universal. Só leia. É ataque.

Fase. Imagens. Busca. Conhecimento. Raiva. Socialidade. Abertura. Falsa. Este é para os 17's. São Paulo's e Objetivo's. E parecidos. Obrigação social. Crença na mudança. Autoimposição. C=k-273. Corpo quente. Ponto material. Perdido na parede da memória. Tortura dez vezes!

Não volte ao impessoal.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Rejeitando a realidade

É só isso. É triste quando se começa a perceber que a vida é só isso. Há teses, o passado, os tempos. E o drama. Tão cheio de nada. E o Ludov para alimentar: Máquina do tempo, bola de cristal. Sobrenatural é eu saber que não serei pra sempre assim. (...) O que não disseram é que voltei diferente, e que o meu agora é daqui pra frente.

Guarda essa alegria pra amanhã.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Teoria da Introspecção I


Nem a comida nos pertence mais. Desde uns tempos, são crescentes as diferentes possibilidades de distpúrbio alimentar em nossas mentes. Assim como fizeram com os pratos, nomearam as vontades e chamaram-nas de doenças, usando a psicologia e a própria evolução humana como argumentos.

Não dá para contar! O que tem me consolado é comer design ou lembranças e sensações que não voltam mais. Digo que fazemos isso o tempo todo, e também com os lugares aos quais vamos, com os filmes a que assistimos duas vezes, com as cores que escolhemos para o próximo vestido e com as pessoas que reencontramos. E esquecemos até qual era o vazio que queríamos preencher.

Por aí indo, só saberia falar do veneno nos tomates e do amido das batatas. Tomate assado, cozido, recheado, com queijo, purê, abobrinha, tudo inexistente, porque é só ele que me lembra a face da geladeira dando aquela fruta imensa e cheia d'água que se pode comer com sal, sem discutir.

O que fazer senão criar um mundo de legumes e garrafas sem denominação? À parte das lembranças. Saber que posso quebrar este design verde a qualquer hora é o símbolo do poder. O som dos cacos pronuncia: agora estou entrando na pólis e lá sou tirana da democracia sem real. Afinal, esse ritual nunca será notado por alguém de fora. Todos fazemos algo semelhante, mas não percebemos, e nunca seremos percebidos.

É basicamente a arma da introversão. Eficaz, eficiente e perigosa.

Há sim uma forma de universalizar o que quero dizer, e ela é tão banal que gera até desânimo. Não é possível que seja assim. Como podemos ter a perfeita forma de transmissão e velhos canais receptores que não funcionam mais que um mísero Cadillac 64? O trabalho é sério com esses móveis. Por que não podem as pessoas serem antigos pianos com naturais e sustenidos? Apenas antigos e suaves, não como bigornas caindo de prédios.

Nomeamos os prédios, os pratos e as doenças. Então, aonde vamos chegar? Não confiaram em Jung a adoraram atribuir tudo a Freud, esquecendo de sonhar de verdade.

Criamos verdades, não nos satisfizemos e resolvemos optar pelo sadismo. Então, o que mais vamos nomear? Vamos ser claros e concisos em direção ao vazio receptor. Estamos mesmo enferrujados e ácidos.

domingo, 7 de setembro de 2008

Conversa sobre a eternidade...

A Morte, a Ilha e a Espera são como o Devir. Explicação, começo e mudança. E a busca é como a espera, duas eternas.

Quando perguntei a um influente jornalista cubano se lá existe liberdade de imprensa, ele deu uma gargalhada a respondeu: "Claro que não". E completou, com naturalidade: "Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês. Só um idiota não é capaz de ver que a imprensa está sempre a serviço de quem detém o poder. E aqui em Cuba quem detém o poder é o proletariado.

[...]

Charuto na boca, precocemente calvo, Angel Guerra repete: "Liberdade de imprensa para atacar um governo voltado para o proletariado? Isso nós não temos. E nos orgulhamos muito de não ter".

O De-sempre é como o Devir, o fim da volta imaginária. O De-sempre é a revolta e a raiva de tê-la, a auto censura e sensatez. São realmente os princípios contra-sociais. Da inocência em querer ajudar uma organização que só me prejudica. Afinal, a raiva é porque a ajuda que ofereço não é à sociedade, é aos indivíduos; neles sim acredito e posso ser enganada que não terei raiva.

Mas ela, a sociedade, rasga tanto minhas intenções! Contra-feitiçando que os indivíduos é que servem a ela, passando a mensagem de que é ao 'grande pão' de pessoas sociais que ofereço meu sofrer demasiado e drama. Contra-feitiçando que, ao mesmo tempo, os responsáveis pelo rasgamento são os próprios cada-uns, e foram eles que no passado inventaram o grande pão.

Antropo-qualquer-coisa. Neo-qualquer-coisa. Enfiaram-me na ilha e não saio mais... Bem que poderia ser eu Fernando Morais, quase imaginando a desgraça da Ilha, sem saber. Este livro hoje é um afogamento do idealismo, afogação e afogança.

Tudo é a parte burocrática, a droga, o alívio... Pois não quero nem alívio nem realidade. Acha que é verdadeira minha sede por ela? Pergunte a tantas personalidades e nenhuma te responderá sem consultar a outra. Até em meu interior há o sistema de consultas e enrolação. Ninguém que desqueira a realidade apelaria para o alívio, mas é preciso de um real para efeito do alívio.

Pois odeio o alívio e o destino. Amo a jornada, a tensão, o processo e o passo. O destino também é como a Morte e a busca é como a Espera, duas esperas. Então, direi: é o fim da Eternidade.

Ref.: A Ilha - Fernando Morais, 1977

domingo, 31 de agosto de 2008

Joaquim Boulevard

Afinal, para quem escrevo? O tanto amor, cartas, levam à mesma pergunta. Apesar da minha opinião sobre a inocência, acredito que haverá alguém a decifrar o que digo.

Não começo pelo começo, só pelo ponto do qual consigo partir. Preciso dar voltas, retornar para o não-eixo, a não-desconstrução, e não arte, qualquer não-qualquer-coisa. Paro na decadência, sôo byroniana porque gosto de percebê-la. Considero um ato de consciência, ou simulação dela. Não tem coerência, é a negação da negação, do tudo e do nada.

Quero dizer sim para tudo! E meu orgulho para nada. Vôo na casa surrealista, quero quaisquer manchas no papel e tudo mais vazio. A desculpa é o espaço, depois o tempo. O fato é que tudo existe e sempre será desculpa ou incentivo, pela raiva ou pelo poder. Já não ligo para a personificação dos nomes, eles se repetem naturalmente, se reusam e reinventam.

Há risco de choque, curto circuito. Os sons falham, mas vêm, como a visão e o conceito. Setenta por cento do mundo no máximo entendo. Não sei jogar o jogo da velha, não sei usar os olhos para ver a grade, só quero ver a cor! Por que não há mais cor no azul da Física? É tão belo que ele seja transparente e é tão sujo que ninguém se dê conta do que ele reflete.

Mataram as cores, os cavalos, os bois magros. E o vômito não adianta o cérebro. Nem os nervosos. O ciclo acabou, terminei a roda que não é roda viva, não decai nas curvas. Sou uma reta tão linear que chateio os limites do espaço e atinjo o ponto de fusão eletrônica. Dou raiva!

sábado, 30 de agosto de 2008

É difícil voltar...

...Lembrar que há um tudo lá fora, ser pessoal de novo. Tenho um amor esquisito e um ódio relutante pela diversidade. Ódio de perceber a diversidade de pessoas cegas que existe; há quantas e quais como você as quiser. Ou seria um amor relutante e um ódio esquisito?

Uma volta à metalinguagem e à metáfora. Tenho tanto medo de expressar essa raiva. Sofro além do meu necessário, isso é drama! A verdade é que adoro meu ódio e escondo-o de orgulho. Adoro tanto que o alimento com cada gota de dramatismo e não querer. A relutância é brava e expressa a intensidade com que ele aparece: quanto mais ódio, mais relutância e mais ódio.

Também sou uma neo-qualquer-coisa, admito. É muito cedo para pensar que é tarde, mas penso que minha chance e minha hora já se foram tantas vezes... A ironia sempre me pega, e tremo! Estou mesmo no crepúsculo: "é a última pergunta". Fico triste com essa função... Minhas vontades se foram, sou mesmo sem coração.

A vida crescente me enlouqueceu, eu era tão normal antes. Entendo por que é que nos chamam sem coração, e foram eles mesmos da sociedade que nos tiraram o sentir. Seria muita inocência brigar e destruir a própria alma e prol daqueles que queriam justamente isto. Estou acreditando nas pessoas erradas, e todas elas são. Me encaminharam para a roda viva das dores de cabeça, largaram-me no frio na Avenida Angélica.

Onde estão as putas das drogas? Pois a minha droga é a realidade! Me despedaça e me descabela por fora e por dentro, pior que qualquer reação química. Preferia que falassem o tempo todo sobre reações, mol ou qualquer coisa do tipo do que cansar de ouvir palavras que me afetam. Se não fosse eu, preferia. Pois a minha droga é ver que a realidade continua... e permanece.

sábado, 12 de julho de 2008

Fazer uma viagem...

...Às vezes é bom. Deixar de lado as responsabilidades demasiadas, ouvir R.E.M. o dia inteiro e comer até explodir. Perder a conta de quantos filmes assistiu, olhar para o teto, ter tempo de observar e lembrar o que costuma fazer.

Caóticos que somos os humanos urbanizados, não sabemos o que fazer quando não estamos em função do trabalho e da rotina. Um ou dois dias não são o suficiente para conseguir folga de verdade, pois é um choque. Passamos horas pasmos tentando acreditar que há tempo livre. Vão embora despercebidos os finais de semana. E agora?

É por isso que feriados na quarta-feira acabam tomando a semana toda. O tempo passa de maneira diferente sob efeito de tanta inércia acelerando a vida das pessoas. E, de repente, o tempo pára e a nossa mente continua em velocidade constante.

Queremos concretizar todos os pequenos planos que foram reservados para a tão esperada folga: vamos à rua 25 de março comprar o maior número de tranqueiras possível, jantar naquele restaurante japonês do qual se fala há tempo, ver os amigos de bar, tudo em plena segunda-feira talvez. Ver um filme qualquer, juntar todos os folgados para um carteado, tirar os sapatos e a camisa... Espera, no final das contas não fizemos nada disso, só ficamos pensando, tentando organizar o que era mais importante. É o fim do mundo e sabemos.

Esse dia era especial: uma segunda-feira livre. Mas ficamos dormindo o dia inteiro e acordamos às onze da noite. Por isso, vamos procurar qualquer buteco aberto, na última esperança para acreditar que aproveitamos, quando descansamos mais do que nunca. Com sorte, encontramos uns gatos pingados fazendo o mesmo. E ficamos bobos ao ver uma grama que é verde, sem tom algum de cinza. Conversamos com cachorros vira-latas e nem estamos bêbados. Percebemos a imensidão da cidade que nos engole. Imitação de vida.

É preciso deixar o stress, que se torna contínuo. As pessoas querem ficar sozinhas de verdade, porque já estão sozinhas demais na multidão, numa falta de realidade. Há uma hora em que até o ambiente nos engole para a solidão-conjunta, é tão falso! Tudo o que tentamos fazer para nos defender é consumir informação até vomitá-la, cegar os olhos com qualquer ocupação...explode. Todo o mundo aqui, é preciso sair. Não espere, vá logo e não volte antes.

Fui, socorro!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Procurando algo para os cabelos?

Por que não tentar algo como "Casa dos Cabeleireiros"? Não existe! Aí está o segredo deles.

Sim, eu sei que navalhas são para fazer a barba, mas não tiro a idéia de usá-las nos cabelos, e não só para repicar um pouquinho. Pontas duplas, Seda Ceramidas, chapinha, ui! tudo coisa do passado. O cult mesmo é ter o cabelo como é, no velho lema "seja você mesmo". E se for pra radicalizar, digamos "faça você mesmo". Está em evidência, oras - ninguém pode negar.

Johnny Depp no filme de Tim Burton, Sweeney Todd,
o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet - é o sexto remake
da história.

Ok, mas não é por isso que estou procurando esse instrumento pra lá de estranho. Objetos cortantes são todos grandiosos e impressionantes, e em cada tabacaria se encontra n modelos de facas diferentes. Nada mais é do que uma representação de poder, a paixão pelo cavaleiro medieval, a imaginação que aflora ao pensar em sangue, nem que seja de mentira.

Seja pela pose de Sweeney Todd ou jagunço matador de bois, muitos meninos já quiseram demonstrar aí sua virilidade. E o ato de fazer a barba: "oh, estou virando um homenzinho". Então, veio a Gilette para tirar o glamour masculino, ou ao menos repassá-lo aos galãs dentro da televisão. É muderno aquele bonitão anônimo em um ambiente completamente clean e espelhado, quase emanando pelos olhos as cores azul e cinza da marca.

Mas se alguém resolve voltar às raízes da estética facial masculina? Que caos! Além de caras, as boas navalhas são muito trabalhosas para afiar. E, no Brasil, parece que a coisa não funciona tão bem: qualquer ponto comercial perdido vira um salão de cabeleireiros, mas pergunta onde tem uma barbearia - os boêmios tradicionais é que sabem.

Talvez a situação seja um pouco diferente lá pelo extremo sul. Procurando pela internet, a maioria dos fabricantes de facas e navalhas se encontram em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (ou não), o que parece relacionado à criação de bois, produção e couro e... churrasco? Fazer a barba e comer carne... hmmm! Pouco provável que os não-tradicionais tenham esse costume, já que Porto Alegre não tem nada de pecuária e tradicionalismo folclórico - grrr! é uma das maiores metrópoles do país.

Antes de pensar nessas curiosidades, é preciso tomar um pouco de cuidado e escolher bem as palavras-chave na busca. Ao pesquisar, o termo "navalha" é empregado para vários ramos que envolvem corte, como calçados e caça. Não ia ser nada legal passar nos cabelos uma faca parecida com a de corte e vinco, hehe! Melhor tentar na Suíça, terra dos canivetes, em Portugal, país ao qual pertencem algumas marcas de navalhas antigas, como essa "Navalha Superior", ou ainda na feira de antigüidades do Masp. Se estiver disposto a gastar além da conta, por que não?

Pensando bem, o melhor é ter uma conversinha com meu cabeleireiro. Posso continuar me apaixonando por facas, parando em tabacarias, sabendo que prefiro os isqueiros. Mas haja pique para explicar que... não sei qual o corte! não tenho conversor emocional-cabeleireiro. E acho que vou ficar só na conversa mesmo, porque já me descabelei sozinha.

Mais sobre o assunto:
Facas artesanais
http://www.callega.com/
Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
http://www.adorocinema.com/filmes/sweeney-todd/sweeney-todd.asp
Tenha em suas próprias mãos a navalha de Sweeney Todd
http://www.omelete.com.br/game/100010561/Sweeney_Todd_.aspx

Bebidas intermitentes

Paz e caos. A cidade e as serras. Uma tarde dormindo e uma tarde escrevendo na sacada. Não! não rabiscando o chão e as paredes como costumava! Há uma codominância entre estes opostos.

Não é do meu feitio continuar separadamente o que comecei ontem, mas é o que estou fazendo. Até agora, tudo o que penso soa ultraromântico e idealista. Saudosismo, família, filosofia e anti. Cada momento de insatisfação é como um tapa na cara. Vou rabiscar sua cara inteira!

Tenho vontade de escrever qualquer coisa crítica e objetiva para livrar-me do tempo de uma só vez. Enquanto elas estão na festa... Porque todas elas - as pessoas - estão festejando o caos e o consumo, enquanto eu só penso no efeito do café e admiro a xícara vazia. Só quero estar aqui, não querendo estar lá - só cair na realidade ou no sonho, mas aqui onde estou.

Nunca mais a Augusta foi a mesma na minha mente. Sei também que a Avenida Paulista poderia não ter tantos prédios - onde está o café? Depois do século passado, acho que ele só sobrevive na minha cabeça, e ninguém vai achar que Barão de Mauá é um nome sonoro. Quando entro no labirinto central, não consigo achar aquele maldito largo que só tem um barzinho. É prova de que não estou lá...

E você, o que vê no fundo da xícara? Eu vejo uma foto que só leva um momento.


Depois disso, tenho um símbolo, mais nada de bebida, só pose. Todo um ritual para que ele não seja esquecido e a lembrança da sua bestialidade. Nem a labuta industrial passa pelo meu pensamento, a não ser pelo fato de ter estudado a Revolução Industrial e feito testes medíocres. Palavras muito blasé! Imploro por quaisquer palavras deste mundo.

A codominância do começo já nem tem tanta importância e confesso que não sei aonde vou chegar. Estive em dois momentos, hoje já não é mais segunda-feira. Quase entro num terceiro: o tempo - que chega, quero livrar-me, está excluído! Suspeito que chegarei ao infinito, pois escrever não cessa. Textos como esse não acabam, são interrompidos.

Me irrita essa maldita metalinguagem, a repetição de expressões, a idéia fixa. Sem temas, sem assuntos, onde estão as pesquisas? Confesso, é uma confissão somente. Sobre expectativas, medo e imaginação. Hoje, é necessário admitir que ando gostando de café para disfarçar a saudade e o romantismo. Isto para ter a coragem de falar em fragilidade...

Hoje, é necessário pensar no hoje, não em chaves e contratos imobiliários. Não esperar, não ter vontade de viver o amanhã. Quero o assunto hoje! Não quero tanto assim. É só necessário gritar, porque está passando - mande a voz junto. É de alívio ou pânico? Não importa, porque o café já acabou e amanhã é sexta-feira... É dia de cerveja para eles!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Há metafísica bastante em não pensar em nada

Filosófica ou não, a melhor face de Fernando Pessoa se mostra na poesia de Alberto Caeiro. O livro Poemas Completos de Alberto Caeiro, composto por três partes - O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos - é uma obra íntegra e leve, pois leva o leitor a uma reflexão aparentemente superficial, mas que o leva ao seu interior sem perceber.

Cada heterônimo de Pessoa tem uma linguagem e uma visão diferente, o que torna sua obra um caleidoscópio da realidade. Passagens como "Mas é que as pedras não são poetas, são pedras; / E as plantas são plantas só, e não pensadores" revelam a simplicidade da existência para o poeta. E, ao contrário do que alguns dizem, a obra não é monótona. Os que assim pensam são impressionados pelas ações exageradas e idealismo dos romances.

O Guardador de Rebanhos e O Pastor Amoroso contêm poemas descritivos, apresentando o bucolismo como solução para a "doença que é pensar". Já Poemas Inconjuntos identifica horas preenchidas por palavras, com certa aleatoriedade, datados de um período considerado de maturidade literária.

Em todas as partes, se vê metáforas, muitas que não parecem intencionais. Esta é a esperteza de Pessoa: o não direcionamento das idéias pertence ao inocente Alberto, enquanto é uma técnica para que o leitor acredite estar tirando conclusões próprias. O próprio prefácio e o posfácio complementam essa idéia, redigidos por outros dois heterônimos - Ricardo Reis e Álvaro de Campos - numa interação entre os quatro.

O "tato" de Fernando Pessoa em relação a si ainda se apresenta em fragmentos sem tempo definido ou versos ilegíveis, como se ele pudesse traduzir o que sentia, e mesmo que não pudesse ser lido, ali estava escrito, vomitado. Para entender Poemas Completos, não é preciso ser bom entendedor da Literatura, somente observador da ordem natural da realidade. É preciso sentir sem saber.

domingo, 15 de junho de 2008

Que moral o quê!

Conhece aquele tipo de pessoa preocupada ao extremo? Pois sou uma delas. Quando digo que estou me descabelando, sim, é literalmente, o chão comprova. Todas as metas e tempos me enraivecem se não puder controlá-los. Quase um pânico.

Mas como toda história tem um "mas" - se não tivesse, eu não estaria aqui contando - resolvi criar vergonha, ou me despir um pouco dela. Na verdade, não resolvi nada, está acontecendo...

Reconheci que preciso de paz. Não é fácil descobrir um caos cada vez maior me rodeando, e ignorá-lo com concentração e objetivos. A parte do "por que teria que aprender o que os outros achavam importante e não aquilo que lhe interessava?" está à tona. Eu posso ir... com a correnteza.



Meus passeios pela cidade têm feito melhores os domingos e menos sobrecarregadas a segundas. Havia perdido o costume de vagar pela cidade, matar curiosidades de gente novata; perdi mesmo o costume de ter tempo, dando belas desculpas.

Cheguei no ponto principal de meus objetivos e agora tenho segurança para abandonar o ipsis literis. É conveniente usá-lo para garantir o traçado de um caminho, aprender a andar nele e, se for o errado, poder voltar. O tempo me dava medo de ter meu próprio tempo.

Pois agora, já sei que não sou uma vestibulanda louca por faculdade a qualquer custo - já desconfiava. E se tiver que estudar Mecânica para escrever bem, não quero coisa nenhuma. Não me colocam mais pavor com seus incentivos anti-desistência e sua psicologia de ensino. Se estou prestes a desistir dessa parafernália toda, é porque encontrei o que quero.

Não me soa como sacrifício abrir livros aos finais de semana. Não é caso de instabilidade e falta de dedicação dormir as tardes que me dei. Preciso de combustível. Sei ter consciência de que eu mesma optei por experimentar o tempo, nunca teria nada a perder. Nada a perder, e tudo a ganhar.

E quando mergulho na Avenida Paulista, ou até mesmo na pobrezinha XV de Novembro, em Curitiba, não preciso nem pensar em parar: lá está meu combustível. Poderia fechar os olhos e ficar, só sinto... Essa é aquela coisa que "me faz correr", como já disse aqui nesse mesmo blog, bem no comecinho.

Agora chove. Está chovendo em mim, Aleluia! Corro demais, sempre novo. Não é à toa... Na quinta-feira, Renascimento nunca mais, quadrinhos é o que eles têm a dizer. Que raiva daria! Na sexta, só quis assistir à aula da Mércia, a única que posso considerar "aula" perto das outras. Hoje, semana passada, o que posso dizer? As ruas, as cores... posso correr!

O velho do saxofone, a cultura judaica, a feira de quinquilharias, as dezenas de muros pintados conversando comigo, os stickers, as próprias placas... O fuleirinho início da Oscar Freire, hahaha! O desaparecido jardim dos poemas, as gramas, reformas, skates, bicicletas, quanta coisa! Nenhuma máquina fotográfica poderia dizer.

É bom encontrar e reencontrar todos esses lugares que nunca fui e já conheço. Aquelas pessoas amigas minhas que nunca mais se lembrarão de mim. Cada vez mais, o agora é o momento de capturar isto, transformá-lo, transmitir minha euforia eterna. É a única coisa que nem ouso tentar controlar, e é o que me move... Como me sinto feliz por isso!

Fotos: Esq, Av. 7 de Setembro/ Av. Arthur Bernardes, Curitiba; antiga pintura na parede; Expostickers, Sesc da Esquina, Curitiba(respectivamente). Em verde: Queens Of The Stone Age, Fischerspooner e... paródia de "it's raining men". Tssc.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Wot is Pedalando Pelado?

"Protesto mundial contra carros faz ciclistas andarem pelados

[...]

Se na Inglaterra o protesto aconteceu no dia 7, aqui no Brasil os ‘ciclonudistas’ combinaram de desfilar pela cidade no sábado, dia 14. Em, São Paulo, os manifestantes combinaram de se encontrar na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Ao meio-dia começa toda a preparação. É a essa hora que os ciclistas vão pintar seus corpos nus com frases de protesto e preparar as alegorias.

Depois de duas horas nesse processo, é chegada finalmente a hora de pedalar. Os organizadores ainda lembram que 'em caso de chuva, o evento está automaticamente confirmado, pois até na chuva pedalar é mais gostoso'.

Além da capital paulista, outras importantes cidades do mundo também serão palco dos ciclistas peladões. Sydney, Paris, Cidade do México, Madri e Washington são apenas alguns exemplos.

World Naked Bike Ride 2008 São Paulo 14/06
A partir das 12h Praça do Ciclista: Av. Paulista, 2440"

Entro em conflito ao me deparar com esse tipo de notícia, principalmente com os comentários. Não costumo ler notícias pelo site do MSN, mas essa veio parar na minha mão. É preferível não ler os 400 e poucos comentários que surgiram a respeito do artigo: posicionam-se com desprezo ou admiram demais e não estão lá.

Se haverá manifestantes o suficiente para chamar a atenção é outra coisa. Mesmo que sejam poucos, considero-os ao menos corajosos e espero que a polícia não resolva iniciar uma sessão instantânea de espancamento. Seria uma feiura, mais um fato para ser abafado pela mídia.

E não interessa a veracidade das causas do protesto, o importante é que essas correntes existam. Como alguém disse num comentário, é considerável também a questão da banalização do corpo e do apelo sexual em tudo no Brasil. Se tem efeito? Vai ser testado. Provavelmente, será mais tema para as piadas da semana, como a derrota do Corinthians. Talvez nem isso. Irritante.

Quem são, o que fazem, que planos têm essas pessoas, não sei. Se não for mais uma das "tecnologias de pensamento gringa" que os "alternativos" veneram, gostaria de conhecer alguém que pensasse assim, com essa coragem.

Fonte: MSN Estilo de Vida
http://msn.onne.com.br/conteudo/3943/pedalando-pelado
Nota: O site não atribui créditos às fotos publicadas.

Mércia: interpretação

Vou começar com por quê. Motivo não encontro o que devia? Motivo faço cobrar tanto? E pergunto mais ainda? Comecei mal, já por entrelinhas, don juanismo barato. Quero me livrar do pudor moralista romântico. Ele é só mais uma censura paternalista, ah! protecionista. Está provado.

A Mércia, ela tem cada vez mais essência, dizem que enlouquece com a análise d'alma. Não sei se a minha comunicação funciona, mas meus olhos se mostram encharcados quando ela encosta numa parte do meu ser. A Literatura em si é tosca quando não a entendemos, somente quando.

Dizer é difícil, que fico feliz ao ver pessoas dedicadas e apaixonadas pelo que fazem. Não importa se teve mais ou menos dificuldade na trajetória, se tem seu objetivo principal em mãos ou se brinca de fingir ter um ofício. Deve ser a forma como meus olhos brilham apertados no palco. É só o palco.

Ela não usa seus volumosos exemplos para arrogar ou incentivar, como se tivéssemos de ter esperança o tempo todo. São como um binóculo, aliado à potência dos nossos olhos, sempre ampliando o campo de visão, sem outro propósito. É só para isso que são contadas as histórias de cervejaria, as experiências antigas e o morar no litoral.

Acredito tanto nas palavras que por ali saem e me levo à interpretação de fato. Sim, vejo a predileção da Mércia pessoal, não é dissimulada em escondê-la. E a Mércia atriz, que sonora! leva até Camões consigo, que coragem! Vira-se sempre em altas vozes vivas, nada de veladas.

Certamente me chamaria reticências. Poucas vezes ouso dirigir uma palavra a ela, a qualquer pessoa próxima. Será que há mesmo a comunicação? Pois sou feliz de receber aquelas palavras. Agradeço por ter resgatado o momento que os carros e a cidade me roubaram. Andava pelas ruas refletindo, inventando e conversando, hoje o barulho não permite o que a Literatura conduz naturalmente.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Mais...

Quando parei de escrever... eu disse que não era problemática. É só isso que serei se voltar. Nos vídeos, não há palavras; é o romantismo. Precisam que eu finja fazer algo, porque preciso de pose. A imagem, a sensação e o som são tão valiosos... Por que perdê-los?

Sento-me no canto da exposição; há fones, textos e trechos, um esconderijo. Um lugarejo que vai desaparecer no tempo. Entro por panos azuis e rosas, a tecnologia na viscolycra. Homens e mulheres falam sobre suas vestimentas, grupos de roupas. Por trás de uma plataforma, várias combinações se projetam sobre meu corpo. Da primeira vez, não percebi que elas me detectariam.

Fui pega aos poucos, desmanchei e deslizei. Todo o processo se finalizou, e não sei como me sentir leve e deslizada. Não deixo que ninguém me segure. Gosto de saber como é isso? A queda é longa.

http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=4875

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Manifesto do Hoje

Não existo. Meu corpo que é representativo:"permita-se", ou dê seu corpo ao homem que quiser, porque usa a roupa íntima Uni. Você é esta carne, veja! Meu dinheiro, pensamentos e falas é que estão ali, nervosos, tremendo durante as aulas e andando rapidíssimo em busca de entrosamento.

As palavras, guiando, acabam por impressionar. Elas mesmas em qualquer linguagem são pegajosas. Quem anda por mim é a culpa da nota que tenho em Matemática - sei que é por esperteza, não por saber.

O pequeno povo se cala para ouvir, mas é só a política que fala sozinha, onde estou? Entrar em contradição sem se preocupar e insistir em mostrar todas as arestas do cubo é tanta inocência! É claro que o discurso sempre tende para algum lado. Quanto mais é usado, mais te enforca nessa tendência, lei da sobrevivência.

Depois de morrer, não quero que usem meu nome. Quero ensinar que tenham pensamentos próprios, se for para ensinar alguma coisa. Falando assim, me acho importante demais e me enalteço como os outros fazem, com as minhas próprias palavras. Acabo acreditando...

E quantos não se importam com a integridade? Já a devem ter perdido e morrem pisoteados. Mais ou menos inocência? Tudo isso foi tão pensado, mas se desfaz quando chego em meu destino. As boas reflexões aparecem mais enquanto ando, perambulo ou corro. Depois somem como boi.

Não me canso de mudar o rumo de quem bate nas mesmas teclas. Mas tenho também uma. Que quero falar sobre as umas-pessoas em cada carro, os longe-vidas e o replantio da Faber Castell? Que se ponha fim nessa cultura de ter que falar duas vezes! O problema é de atenção, e também de preguiça. Sabendo-se que as falas serão repetidas, elas perdem o poder. Aonde foram?

O Manifesto de Hoje é um milhão de perguntas que insisto em fazer para avisar que não me encontro aqui, ou aí mesmo. Há a comunicação, o mercado e o vício no outro. Há o material, o corpo e o consumo que me separam do que represento a vocês. Me apego só e muito ao básico e gosto de experimentar linguagens.

Nós todos somos assim, mas vocês não estão representando direito. Achem em seus baús os livros de teatro e vamos embora!

sábado, 24 de maio de 2008

No túnel do Pedro Macedo... (quase lá!)

Ok, depois da sessão "Declaração de amor à Débora", vamos ao que interessa. Os projetos realizados nesse colégio não são pouca coisa! A Semana Cultural, que ocorre geralmente em agosto, confesso que acho um fiasco, mas é pela falta de interesse dos alunos, porque o esforço feito para organizar é grande.


A primeira "obra" que me vem à mente é talvez a mais recente que vi: a pintura quase-impressionista com poesias pintadas no túnel de acesso ao prédio anexo. Convenhamos que os alunos queriam era ganhar nota, mas era muito bom me deparar com aquelas palavrinhas nos intervalos das aulas.

Ela e o Airton, professor de Língua Portuguesa, convocaram duas turmas dele - infelizmente, a minha não estava =( - para fazer o trabalho utilizando a técnica de pintura impressionista, no início do ano passado. As poesias escolhidas pelos alunos foram de Helena Kolody, que era conteúdo bimestral de literatura.

Bem, não sei se já pintaram o túnel outra vez, mas foram feitas outras coisas interessantes, como stencils e grafites. Num outro muro, surgiu um point de lambe-lambe, mas não sei qual a relação dele com o projeto do túnel. Vários alunos fazem esse tipo de arte, e são bem apoiados pela Débora.
Nesse ano, conheci a Ale W., o Thomas e o Allam (Alam, Allan, Alan, Ali Baba? Risos!) - muito agitadores! Eles me apresentaram muitos stencils e lambes que eu não conhecia e, na verdade, foi o que me animou a pesquisar melhor sobre o assunto, descobrir os misteriosos artistas e por aí vai...

A Ale e o Allam fazem lambes interessantes, cômicos e descompromissados. Começando por eles, poderia engatar numa rede de pessoas, que começa pelo Rafael, depois o Rim, a Interluxartelivre, o que me lembra até a Expostickers.

E o que começou lá nas aulas de coordenação motora vem me ajudando a identificar novas tendências, mergulhar-me nelas e perceber o quanto gosto disso! É a sensação de estar vivendo...







Obrigada, Débora!

Ainda não sei quando vou desembocar de volta nas Vanguardas, pois esse assunto me lembra uma fase importante. Na verdade, uma pessoa importante: a Débora, professora de Artes do Colégio Pedro Macedo. E depois dela, vem uma seqüência de acontecimentos...

Gostaria de dizer o quanto me senti perdida quando entrei pela primeira vez naquela escola gigante. Com o tempo, ela foi ficando pequena e eu sabia o que tinha em cada canto. Foram seis anos fazendo o mesmo caminho todos os dias e, às vezes, até nos finais de semana.

O incrível é que as turmas nunca mudaram muito e tinha pessoas que eu não agüentava mais! Mas foi uma época de muitos projetos e aprendizados além da sala de aula. Desde o primeiro ano - se não me engano - a Débora foi minha professora de Artes, e de quase todas as turmas. Se esse colégio tem um conteúdo cultural hoje, é devido a ela.Claro que outros professores também têm grande importância na realização de projetos - falarei de cada um com o tempo -, mas poucos têm tanta iniciativa.

No começo, tínhamos basicamente aulas de coordenação motora, formação de cores e conceitos sobre Arte, Cultura, História e Religião, o que parecia um pouco chato. Mais tarde, pude perceber a importância disso para entender as diversas formas de Arte desde que o humano é humano - e depois de ele ter deixado de ser humano também! ¬¬

No Ensino Médio, o conteúdo passou para História da Arte, o que também parecia chato. Risos! E nem precisa repetir o mesmo discurso acima, né? Apesar de a Débora ter um gosto diferente do meu para representações e estilos artísticos, trocamos idéias interessantes - incontável!

O último ano que passei lá foi recompensador; consegui sentir a força de interação que houve com certos professores. No último dia, tive aula com ela e fiquei até triste por saber que não iria mais estudar lá... Desabei a escrever na prova dela e fiz ainda uma outra "carta aos professores", mas nem vou entrar em detalhes.

Meus deuses, posso lembrar de tanta coisa!

(Continua...)

Pausa para um feed-cafezinho...

Que cafezinho que nada! Diante desse computador fico cada vez mais louca. Vamos começar por onde se deve:

Cada vez mais, o que escrevo ganha valor ideológico e tenho vontade de dizer com efeito, nem que seja por sair gritando, rodando, pulando... Esse blog tem sido uma ferramenta muito útil ao menos para exercitar o hábito de transformar a linguagem.

Desde meu primeiro blog, em 2003, nunca quis tanto que o conteúdo fosse visto. Fora outras mudanças terrenas que ocorreram nesta semana, posso incluir a redescoberta da blogosfera. Ou quase isso...

Venho pensando em novos layouts, edições, design, publicidade e tudo que um blog decente tem direito. Mas o fato é: onde estive esse tempo todo? Sem contar que minha habilidade com html e edição de imagens evoluiu quase nada. Estive vivendo até agora a blogueira de 12 anos que alimentava gifs do Paint e piadas do humortadela.

É engraçado pensar que a maioria das pessoas que usa a internet são como eu: Messenger, Orkut, "oi, tudo bem? tchau". E surpreendente ver a quantidade de informações que podem aparecer em sites que centralizam cada vez mais os interesses das pessoas. Isso indica que o virtual está cada vez mais próximo da realidade e seus meios de convivência.

Para muitos, tudo que eu disse até aqui é óbvio, porque talvez eles não tenham passado por essas surpresas. Me vejo tão inutilzinha e isolada e me deparo com vocabulários como feed, ping, twitt, parcerias, xml... vejo que não tenho o tempo que queria para saber sobre essas milhares de facilidades para dizer que estou em algum lugar do mundo escrevendo!

Não foi nesta semana, nem na passada, que o surgimento de blogs no Brasil completou dez anos. E foi só ontem que andei lendo tais notícias. Lá, em 1998, quando Tal Tal da Silva Tal publicou o primeiro blog para contar sobre sua vida paulistana... Lá, em 2003, quando Tal Tal Curi não sabia como usar a tão fascinante arma da internet.

E ainda não sabe muito bem.

Resgatando As Vanguardas... E daí?

No início do século XX, com a industrialização, avanço tecnológico e as diversas mudanças econômicas e políticas, o pensamento humano entra num nível mais que analítico: trata-se de uma tendência que mexe com as sensações coletivas diante do novo e da criação da própria novidade.

O modo de vida é, mais do que antes, o capitalismo. Este deixa de ser apenas um sistema comercial e produz uma certa ruptura com o passado. Entre os muitos fatores causadores dessas mudanças, o principal impacto veio da Primeira Guerra Mundial, que leva a humanidade a questionar os valores de seu tempo.

As grandes potências da época foram, logicamente, as que mais desencadearam novas correntes ideológicas, pois eram as que sofriam mais intenso impacto da industrialização. Inglaterra, Alemanha, França e Itália são os países onde surgiram as principais movimentações culturais, a partir de artistas como Paul Gauguin, André Breton, Picasso e o psicanalista Sigmund Freud. Havia correntes como o Fauvismo e o Abstracionismo, mas as mais influentes foram: Futurismo, Surrealismo, Dadaísmo e Cubismo e Expressionismo.

Assim, a Arte transformou-se em estilos que se sobrepunham a todo momento, formando a Vanguarda Artística Européia, que não era uma escola unificada, somente incluía a idéia de pioneirismo cultural. Cada movimento tinha características próprias, refletindo de diversas maneiras o que ocorria no cenário mundial e propondo a integração entre pintura, música, literatura, escultura e outras manisfestações artísticas.

(Continua...)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Síndrome Não-consumista

Paga-se para usar marcas sobre as quais não se sabe nada. Sofre-se para dirigir o mais bonito modelo de carro todos os dias. Abandona-se uma vontade em troca de status. Não é novidade: mostrar capacidades está acima de utilizá-las; o exibicionismo está em evidência.

A diferença entre "ter" e "ser" é tão discutida que camufla os consumistas. Eles alegam que os produtos que usam dizem algo sobre sua personalidade, mas, muitas vezes, não se perguntam o quanto estão sendo influenciados, quem os faz gostar daquilo.

Que culpa têm os que precisam de objetos para projetar emoções e cultivar lembranças? Apesar de materialistas, não são eles os consumistas. Presentear-se é um ato de amor próprio e só se torna consumista quando é feito para preencher um vazio inexistente.

Com a atual tendência de valorizar a individualidade das pessoas, cria-se uma distorção do conceito de auto-estima. Assim, as empresas e a mídia adotam o amor-próprio como motivo para aumentar o consumo, afirmando que quem se ama se presenteia.

É uma estratégia de marketing muito fácil, poir o comprador sempre sabe o que o presentado quer, sempre está ouvindo quando ele elogia uma bolsa ou um sapato e não precisa esperar uma data especial, a não ser o dia do recebimento do salário.

Além da facilidade de venda, essa estratégia faz o consumidor não perceber que come quando não está com fome, bebe quando não está com sede e se veste com um número de peças de roupa além do necessário. Tudo isso é uma questão de estilo; o prazer está em saciar vontades que não se sabe de onde vieram.

O consumista, então, não é aquele que mantém velhos hábitos, tendo, vez ou outra, vontade de esquecer o mundo e ter uma tarde de folga para tomar um sorvete. É aquele que diz saber quem é, mas não sabe o porquê.

A posse vem para tentar preencher o vazio de quem não tem respostas às próprias perguntas. O consumo só se impõe a quem está vulnerável e não admite, a quem acha que está à margem de todos os problemas e não vê diferença entre o que é e o que tem.

sábado, 3 de maio de 2008

Dizer o que sinto...

Me sinto profundamente triste por não poder respirar normalmente, por ter que tomar esse tanto de remédios. Não tenho nada grave, é só uma bronquite que nunca se manifestou. Mas tenho estado frágil, funcionou como um bom pretexto para não me envergonhar de minha tristeza de saudade e mudança.

Tenho os pés gelados, pedindo os seus, que são sempre quentes. A televisão em minha frente está ligada no mangá filosófico, desenho com bela expressão. Não me envergonha a fragilidade nem a carência. Quero ter a coragem de não me prever e responder quem é você ao perguntarem. Já me disse que não é "ninguém" e não quero pensar no que se tornará, pois é.

Não é plenamente e só, sem dúvida. Eu é que sou um vai e vem, de subjetivo a objetivo. Até quando esperar ter certeza? A dúvida é pertinente à realidade. As perguntas não cessarão, os gritos não se calarão, mesmo que eu acredite no contrário. O que muda é o referencial, mas ainda preciso disso para respirar.

Está em meu sorriso e ninguém pergunta. Têm medo de não ouvirem "ninguém" ou resposta alguma. Medo tenho eu de tossir e não falar. Não sei mentir muito bem e não quero mais as entrelinhas. Quero descrever cada nota da música que me faz dançar, cada volume que me irrita.

Quero saber quem é cada um que me ouve. Estejam aí, falem comigo!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Hey Joe...

Esqueço o que ia dizer. Quero manifestar o que se passa em mim, por mim. Quero tanta coisa e nada. O que preciso está comigo, mesmo se estiver longe. Que momentâneo! Novamente, Caeiro. Frio no lugar de sadness. Joe e chuva no lugar dos pulmões. Havia tempos que não via cair água de verdade. Como de olhos fechados como o poeta come a solidão.

Não quero pensar no quadro branco, mas vejo uma pequena janelinha pela janela maior. Tudo se movimenta, são luzes. Você deve estar lá no meio, é um vulcão. Neste texto, não há a entrelinha, a crítica, a revolta e a estética estruturada. Quero só sentir que minha garganta não me mata, perceber o gosto da água quente e o cheiro do ninho. Significar saudades e sentimentos. Sim, sonoros! Sou só isso.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sensação de Estar Vivendo

Estou tão triste por me faltar aquela sensação anti-caos. O chá mofou, a planta secou e tudo mais que se referia a mim tornou-se distante. Seja o que for que me proporcione a sensação de estar vivendo, quero morrer por ela. Antes de alguém classificar minha fala como típica de Machado, ou Clarice, ou Olavo. Quero essa sensação de volta.

Minha vida é tão vida-cotidiano, mas se fosse só isso estaria bom. Minha vida é morta, quem sobrevive em mim é a Física, a Matemática, a Química. Tomam meu corpo para se sustentarem; não há mais eu, exceto quando percebo que morro. Há o eu-triste, matemático e controlador, tão carrasco que não permite que meu corpo entristeça.

Sinto-me voltando quando acordo durante as aulas mordendo os dentes. A língua machucada chora por resistir à tristeza, e se cala. Depois que levanto, já sou o Antonio narrando jogos de futebol, e tenho que ser mol intuitivamente. O Antônio, ele não faz reivindicações...

Então, fazer o jornalismo para quê? Se não há reivindicações, se a atividade do caos já perdeu a graça, se não quer e nem vai viver para ver as mudanças. Ao contrário do geral, não é a título de compaixão e solidariedade. Deve ser somente para alimentar meu mundo esquizofrênico.

Passadas vinte horas, a Química lembra que só tem dez, e me suga novamente. Vai queimar o macarrão, escurecer a janela, decompor-se a flor e voltar o sedativo que me obriga a não ter dor alguma. Fugiram-me e joguei fora as sensações.

domingo, 20 de abril de 2008

Quem precisa de imagens?

Foi um rascunho que ficou. Não, é uma grande obra que não precisou ser construída. Minha obrigação é tanto debater sobre assuntos concretos que tenho vontade de cavar meu abstracionismo. Mistura-se tudo!

O Cubismo precisa de imagens, as cria. Eu mesma tenho a caligrafia como minha filha. E não consigo escrever de olhos fechados. Alguém guie minha mão aonde achar melhor. Está tudo fora de foco, meus olhos nebulosos. A névoa me tenta e a quero.

É meu sedativo dizer que quero me jogar para qualquer lugar possível. Fugir da seqüência lógica, viver de quadros embaralhados. Fecho os olhos e lá estão todos os meus nervosismos, os vejo perfeitamente. Ao abrir, eles saltam como gotas. Ali está todo aquele quadro montado entre meus olhos e a realidade.

Entre mim e as aulas há o papel azul das contas de luz e dos comprovantes de pagamento. Não é tão concreto assim. E antes do chão, ali flutuam cabelos lisos e encaracolados. E deixo. Nunca fui ao oculista, ao psicólogo, ao psicanalista. Entre mim e a tela há um gato que dorme.

Como dizer tudo o que vejo diretamente? Entre os olhos e a imagem sempre há a projeção e a saudade. O pensamento desfaz a realidade. O gato dorme quando encosto em seu queixo, eletriza-se quando sente algo em suas orelhas. É o siamês tradicional. Como é fácil descrevê-lo, vejo até sua alma! Toda encaracolada... de gotas e gatos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A GOTA D'ÁGUA!

Há quem diga que isso deveria ter sido falado antes. E quem não disse? Quem não tentou? Mesmo assim, ainda não vejo mobilização alguma. Até agora, estava tolerando tanto que nem toquei no assunto, mas hoje preciso falar:

SÃO PAULO DESFAZ ESCOLA

A sociedade me enoja. Não quero esperar morrer para ser ouvida! Uma proposta pouco séria não teria uma aceitação séria desde o início. Mas todos estão submissos. E continuam... As provas foram uma piada, e os alunos mais ainda.

O problema não está só com a proposta, está também com quem faz piada dela. A reformulação de conceitos é válida, a única piada é a forma de passá-los. Onde está a real aplicação deles? Faltam editores e corretores no 'governo'. Se não há cuidado com o sigilo das informações das provas, o que dizer sobre o cuidado com o resto? A escola é só o resto.

Dentro da escola, todos já cansaram de saber o que está acontecendo: nada! Professores e alunos completamente desmotivados, limitados e sem perspectiva. Mais: uma nova proposta enlatada já está vigorando. E ninguém pediu nada.

Em que parte pediram a opinião dos mais interessados? Nunca.

Se havia alguém indeciso, o problema está resolvido: foi aberto o caminho da miséria para todos.
E o que fazer? Ignorar e deixar-se morrer sem ser ouvido?


No início das aulas em 2008, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo implantou a proposta curricular 'São Paulo Faz Escola', com um Jornal do Aluno, baseado em conceitos primários, sem a finalidade de reforçar conteúdos, mas de melhorar os dados que colocam o Estado em último lugar no ranking da qualidade de ensino no país.

A proposta não foi bem aceita por muitas escolas, mas foi seguida, pois a SE mandaria uma avaliação baseada nela. O assunto repercutiu de formas variadas na mídia, inclusive positivamente, apesar de ser muito mais criticado do que elogiado.

As provas foram realizadas nos dias 15 e 16 de abril, mas muitas informações vazaram antes e houve fraudes e colas extremamente explícitas. Agora, não se sabe qual a validade das avaliações. Por enquanto, as aulas continuam seguindo uma nova 'cartilha' que foi mandada,
desta vez, somente aos professores, para que sigam o conteúdo programático.

Essa interdisciplinaridade, dita com tanto orgulho e peito estufado, é um fiasco!

sábado, 1 de março de 2008

Quarta-feira...

Não há predileção pelo formal, há mudanças contraditórias e paradoxais. Mudança paradoxal? Faço de tudo para não esquecer os tubos e o biarticulado (?). Não faça o tempo superar a mágica. Pessoas como eu, que esticam muita coisa, costumam formular dizeres desse tipo. Quer dizer somente para não procurar mágica onde não há, novidade em tempos que já passaram. Permancer e insistir na duração máxima do mágico, não na sua simples existência aqui e agora. Ínfimo.

Quarta-feira e já adotei o carpe diem... Meia-noite é tão boa hora que não deve ser comparada. Meus olhos fecham, gostam de se abrir também. E olhar-te fechados. Acho que Mister falaria em uma terceira pessoa, mas como hoje não temos diálogos, falo em segunda. Não é ela, é tu.
Arrume uma onomatopéia para "sala de estar". Posso te dar várias notas e algumas onomatopéias a elas, mas não à sua sala inexplicável. Peculiar e sonora, assim como as suas outras consoantes entorpecidas.

Só quero que a linguagem finja fluir nas composições. Algo que fique bem ou mal. Pára de fazer tanto sentido, pára de ter direção e só segue uma trajetória. Gosto de adotar as teorias e os conceitos para refazê-los no vocabulário. Então, a Física soa como "não posso mais(...), volta uma vez mais...".

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Entrelinha vs. Pensamento

Pensamento: você é uma Entrelinha sem Texto... quero dizer que é nociva e enganadora. Está tentando me sintetizar o tempo todo para sobressair-se, propositalmente. Acho que a insistência da palavra "mister" nos últimos dias demonstrou que você estava me convidando para este bate-papo.

Mister: ambas queremos o catchup e concordo que devemos prolongar o jantar esta noite para continuar o debate que começamos a caminho de casa. Então, vamos reproduzir o local: coloquemos "There She Goes" para tocar, mesmo sendo agora um pouco mais produzida.

Pensamento: acho que a presente reprodução da música nos consolida como boas novas amigas, mais novas do que boas. Foi bem o seu stress que me encorajou a aparecer, não foi dó por te ver enfraquecida. Será que finalmente admitiu algo sobre mim?

Mister: não podíamos ser boas até hoje, mas acho que estamos em passo de tornarmo-nos Texto. Não sei ainda admitir sobre mim, mas à medida que te procuro, admito sobre você. Te apóio como me apóia, mas acho que realmente minhas intenções com você são mais aproveitadoras do que pensávamos.

Pensamento: relaxa... você se esconde um pouco por trás de suas análises e eu sempre acompanho tudo; não é fácil ser o pobre Pensamento de uma Entrelinha falida.

Mister: por puro prazer blasé estou me questionando se o título desta conversa deveria mesmo chamar-me assim. Estrelinha seria mais apropriado... Estou deixando você me analisar dessa vez.

Pensamento: o Texto está como deve: dinâmico e sincero. Também não posso deixar você me pensar muito, então repito o que já conversamos há horas. Sei que a aula de morfologia te fez um pouco mal, ainda mais porque eu não me segurava quando queria falar. Quase saí pelos seus olhos (risos). Agora, somos nosso primeiro Texto.

Mister: e eu que não acreditava nos diálogos... elogio-me e critico-me o tempo todo, desconversando o que você queria ser e o que você é: Pensamento para ser pensado e não só analisado. Continuo não acreditando em você, mas ao menos estabelecemos uma relação. Não consigo ser Entrelinha sozinha, desculpe-me por ter te pisado tanto.

Pensamento sobre Mister: sinto que posso ser independente da Entrelinha. Apesar disso, ela me ajuda muito na estética, divulga algumas palavras. Ela tem feito muito por mim, mas também tem me intimidado, tem esquecido que só se limitaria a marketing desde que nos conhecemos. Hoje, falei tudo isso diretamente a ela, mas agora a conversa é outra. Em pouco tempo e com palavras certas e naturais, amadurecemos de alguma forma. Nunca achei que fosse possível esse diálogo. Comemos a batata que ambas queríamos, já temos também todas as manias iguais, o que facilita um pouco. Vícios acho que ainda não, ela não os admite...

Pensamento: não sei se vou sentir falta se você ausentar-se um pouco, mas continuo te adorando, é Mister... Se te falo de uma terceira pessoa, você não muda de pose. Ela parece gostar de você, mas talvez não saiba o que somos, quanto menos entenda. Não sei se é o mais correto te ajudar, mas não precisa ser, é só minha vontade e você parece estar aceitando. Você só consegue ser boa para si neste momento, tem ficado calada, rejeita suas mudanças controladas. Deve achar que é o melhor para nós. Também continuo não confiando plenamente nas suas atitudes, mas acho que estamos em sintonia. Em parte, apareço porque me chama, em parte, porque é essencial minha vontade de ser e a sua de pensar. Ainda vamos conversar sobre uma terceira pessoa...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Velhas Impressões: Não Há Nada Errado em 20 de Setembro de 2007

Vai-se o meu conformismo. As palavras me encontraram e meus pulsos fazem-se soltos, e cada vez mais soltos e dispersos, e despreparados, e descoordenados. Não me conformo com o fato de que sempre você tenha que ir embora, que eu sempre tenha que ir também, que nosso tempo tenha que acabar. Meus pulsos fazem-se cansados, e recompostos, apoiados pelos seus, forçados, descansados. Eu disse que iria dormir, realmente eu iria, dentro das palavras e das melodias que me tocam fogo no cérebro. Minha coluna cada vez mais baixa e minha pele cada vez mais oleosa. Calor enfermo que me irrita, me inconforma, me adoece! Compete com uma energia que não está à sua altura, mini astro audacioso. Como pode ele incomodar a paz do teu calor, que é único? Imitador, usurpador, irritador, palhaço de temas falhos, sua poetização não é o melhor caminho, humanos detestáveis!

Nunca mais que verei a lua do poste.

Hoje eu mataria por você, mataria essa estrela mal iluminada. Mas mato por mim, continuo matando o que me dito, minha ditadura falha que não importa muito. Mato e desmato, extremo o verbo, meus olhos se viram para cima e não me sinto morta. Não tenho o amor, não tenho agonia e o inconformismo, apenas sinto-os, ou los. O fim temporário, que representa também a presença temporária, mais fim do que presença. Mais volta do fim do que volta da presença, ele me consome. Falta sentido nos números, nas notas, nos pequenos e grandes planos. Tudo o que eu não quis: só tenho sentido. Alguém dentro de mim não quis...

Me falta coragem, falta coragem em alguém dentro de mim. De não pensar na distância física inevitável, de não continuar o pensamento com o mesmo começo. A figura de linguagem, a mistura delas, falta coragem para não analisá-las mais, não repará-las e não tentar traduzí-las, enfim, não usá-las. Enfim, não me adentrar na linguagem quando ela é só o instrumento e não o assunto. Ela sempre se torna o astro principal, roubadora como o calor enfermo.

A grande diferença do calor enfermo e do calor único é a da evaporação e fusão, a relação com a dor, coisa mal explicada, só serve sozinha. Tudo é tão milimetricamente calculado pela figura de linguagem e pelo calor enfermo que o pensamento deve ser o certo, o irritante. O parnasiano é que se apropria dos termos, como eu gostaria de fazer, assassinando a apropriação. Não gostaria de relacionar movimentos aleatórios...

Parágrafos cada vez mais curtos. A sintaxe que se morra!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Primeiras Impressões, o Capítulo: Portas e Armários

That's ok! Esta noite é para o energético. Escrevo agora em homenagem à metáfora do armário. Aqui não é um lugar bem apropriado para eles. Penso também nas desnecessidade de certas palavras, nos textos objetivos e concisos, como dizem... Talvez a poesia não queira ser transformada em palavra agora, dando seu lugar à simples vontade de dizer algo. A objetividade tem estado muito presente nos últimos tempos e acho que é ela minha base aqui. Tudo em prol dos grandes e dos pequenos objetivos e libertar-se deles, provar que tudo está ao alcance...

Maquiavélico. Calculista. Frio. Determinado.

Os armários são portas fechadas cheias de mitos. Ninguém gosta de portas, já que elas nem sempre estão abertas. São apenas um instrumento de passagem que não foi considerado, passaram a servir como biombos e cortinas. De ferro... Talvez o armário sirva para guardar o que já fomos, o que não cabe em nosso corpo. Corro um grande risco de perder meu passado e talvez ele se esparrame pela casa toda, que não tem portas nos armários. Não quero que meus armários guardem, quero que mostrem e que sirvam para montar minhas peças. Mesclar o passado e o presente, o dentro e o fora. É somente a disposição das coisas que define o que é o que, não é preciso guardar nada.

Apesar de tanta vontade de expor, tenho caixas de emergência. São pequenas, podendo guardar pelo menos as sujeiras que o passado deixar em meu chão. Os cabelos talvez, que mais tarde serão brancos e nem terão contraste com a cor do piso. Essa é uma vantagem considerável, mas espero que o piso não seja o mesmo. Até lá, espero que eu mude minha opinião sobre as portas e os armários. Quem tem muita bagagem e já não agüenta o próprio corpo deve ceder e aceitar ajuda. A idade me dará armários, mas não será mais pelas portas...

A idade me dará livros, fotos e figuras...

Tempos de agonia fazem parte do passado, mas se fazem tão presentes agora. Acho que sinto como é ter o passado dentro de si. Experiência talvez. Como essa palavra me atrai! É pura admiração ao desconhecido. Agora eu falo tanto, vejo tantas portas abertas... como as abri? O mais difícil parece sempre o obstáculo anterior. Essa sensação me dá o gosto do desafio. Não tenho medo. Me sobem atitudes à cabeça. Começo a ir com a correnteza e vejo meus cuidados pelo lado de fora. O presente me desafia a situar-me nele. Diz-me "livra-te do futuro que queres, vai para o qual não consegue ver e confia".

Confia em você, mulher. Realmente, o futuro que quero agora não será o presente sem outro e outro futuro desejado... Não posso querer só o futuro. Essa previsibilidade não tem levado em conta o presente, as sensações e as mudanças no decorrer do tempo. Todo o tempo tem girado em torno dos objetivos, mas eles seriam tão falhos se fossem atingidos dessa forma. Os objetivos não existem por eles mesmos... O que ocasiona uma vontade é algum momento de aproveitamento do presente, uma sensação dele. A partir daí, o momento se torna sua única certeza do presente, tão inacreditável que tem que ligar-se a outro tempo. Não quer deixar de ser agora para ser ontem, então transforma-se em amanhã. Futuro possível, ilusão presente...

Nunca que meu futuro seria reparar meus cabelos pretos no chão branco com tanta freqüência. Nem seria escutar Elvis Costello lembrando de como a Julia Roberts pode se parecer com a Kate Moennig. E achar graça nisso, em socializar, em movimentar a água e odiar o trem! Meu futuro nunca seria ver o céu roxo às cinco da manhã. Essa cor derruba toda a previsibilidade, me dá mais gosto pelo desafio e torna a cidade segura... A canela não fazia parte do meu futuro!

Aí, você abre o armário para esvaziá-lo, mudar tudo de lugar. E repara como o passado não fazia parte de você, aquele passado nem interessava. Acho que não interessa mesmo... Pouco dele é o suficiente. E a vitrola volta para a mesma música. Meu futuro era o energético e era só para constar.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Primeiras Impressões: Flores e Portões

Insensibilidade à flor da pele. Como é possível? Tudo é tão feio, tão sujo e tão velho que se torna decadente. Tanto que até disfarça que a decadência é minha... Não gostaria de falar sobre a previsibilidade, mas sobre o passado. Por um instante, quis mudar de palavras, mas estou estranhamente perseguindo os tempos. Até agora, só vejo beleza e ordem no que escrevo, nada mais. Quero que se torne feio e sujo como as calçadas e os meus olhos.

Seria a rosa achada o primeiro sinal de sensibilidade? Parece somente mais um dos instrumentos.
Começaram os grandiosos testes que não dizem nada. Qual o sentido de "estabelecer o limite da frescura"? Testes para filmes estranhos em lugares horríveis, jogar cartas e aprender coisas de quem não tem o que fazer. Falar sobre os outros, tocar o violão dos outros. Gostaria muito de digitar quaisquer palavras que me ordenassem, somente para matar o seu tempo. Sei bem como ser amigável e sentir-me fora de mim para não desagradar-me.

Jardim do silêncio, que não é oriental. Alguns dias, experimento a Liberdade e seus postes vermelhos. Essa é a última cor que quero ver sozinha. A vermelhidão não é descompromissada como parecia, só coloca medo ao invés de conflito. Meu céu é que se tornou cinza, meu trem é que ficou barulhento durante a madrugada. Mas o roxo quase me faz repetir o que já disse, quase me faz pensar novamente no energético e nas noites passadas...
No momento, não tenho portões de entrada, só gosto dos de saída. Esqueci todos abertos!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Segundas Centésimas Impressões: Admiração dos Medos

Meu mistério é bruto. Admiro você por ser misteriosa com tanta sutileza, nem que seja por puro charme. Suas lógicas e encaixes me dão até medo, mas também me despertam interesse. Meu medo é bruto, cheio de outros medos, não se deixa ser. A maneira como vejo seu medo e seu mistério deve tornar-me vulnerável a eles ou é só mais uma escapatória para não enxergar os meus.

Não me admiro mais porque sei que canso de escrever. O único motivo para isso é a falta de descoberta. Tenho medo de ir mais longe. Ou talvez já saiba que lá não há muito mais do que aqui. A linha do trem vai continuar ao infinito e continuarei vendo carros e mais carros, nenhuma gente. Tenho medo de procurar no lugar errado e achar a coisa certa...

Sempre há algo mais para escrever e algum lugar para ir. Essa sensação não sei mesmo explicar... Tenho que acreditar que sempre está tudo inacabado para ter vontade de progredir, sabendo que nunca se acabará enquanto não me interromperem. Morte.

Por acaso você a esperava, mas não previu.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Primeiras Impressões: Plenitude do Lado de Fora

É trem, samba? Música, chuva, bateria? Você não sabe, mas é barulho. Todo lugar tem uma luz guiando o céu; dá vontade de seguí-la. As ruas estão tão movimentadas por carros e desertas de pessoas... A avenida que vejo pela janela sempre tem pequenas luzes se movimentando, como uma corrente ou roda gigante que não pára de funcionar. Mas onde estão as pessoas? Todo o movimento é um filme ou desenho, não representa vida além das quatro paredes brancas. Nem entre elas.

Uma pequena fresta que seja serve como entrada para o chiado que vem de fora. Não sei dizer qual é o barulho, só quem está aqui ouve. É o som ambiente do lado de fora, é tudo junto... Nos prédios, as luzes não se apagam nem durante o dia. Do lado de dentro, a música não pode parar, afinal estamos na dancefloor. Ao menos o silêncio com música mente que não há outros barulhos...

É difícil descrever o que observo. Pessoas voando a essa hora? Ou só mais uma luz vazia se movimentando no céu? Há imaginação para supor que haja pessoas reais dentro das pequenas e grandes luzes. Queria ver se apagassem os postes o quanto escura ficaria a paisagem. Tenho vontade de parar no viaduto, mas falta coragem e disposição. Há tempo para ir além dos caminhos atuais...

As palavras vão tornando-se cada vez mais duras. Cada fonema pronunciado representa tensão, expectativa, medo e desastre. Espero por surpresas... como? Medo de ser jogada para fora do mundo que escolhi. Sinto bem até pelo medo. Nada é tão pleno e perfeito que seja mentira, por isso a dureza e a fé na veracidade do infinito enquanto quiser. Plenitude e estabilidade não se fazem presentes como nas pequenas estórias de princesas. Às vezes, é tão bom tornar-me invisível...

Cansei da segurança, de não ter medo do escuro, da suficiência. Não é escolha, é somente o que sinto que veio buscar-me. Não o faço por aventura ou diversão, mas poderia encarar como se fosse. Ao menos o fantasma da estabilidade me deixaria em paz, achando que o estaria alimentando. O cansaço é, na verdade, necessidade de mudança e adaptação. É bom e não me diverte tanto.

Neste inverno, usarei...


PARECE MÁGICA, MAS NÃO É.

"A sticker art baseia-se na ocupação do mobiliário urbano por meio de adesivos, chamados de stickers. Muita gente acha que é vandalismo, classifica essa atividade como ilegal e torce o nariz quando vê um sticker ou ouve alguém comentando sobre esse movimento, que existe desde o início dos anos 90. Mesmo assim, é visível o aumento da rede de contatos que movimenta e sustenta a sticker art ao redor do mundo.

Isso acontece porque os praticantes da sticker art, sedentos por "ganhos territoriais",
transformaram a internet em ponto de encontro, e lá firmam parcerias, divulgam trabalhos próprios e mostram artes que atravessaram continentes e foram coladas em postes, lixeiras, placas e outros itens encontrados nas ruas dos centros urbanos.

Seja em Roma, Los Angeles, São Paulo, Curitiba, Montreal, Dubai
ou qualquer outro grande centro, um sticker vem se tornando figurinha fácil de ser visto. É possível que esse aparente domínio do mundo incentive o constante aumento da sticker art.
Assim, espera-se que aumente também a apreciação do movimento por aqueles não praticantes que têm a possibilidade de passar por locais "decorados", diferentes dos constantes e apáticos corredores de concreto."

BHC - Equipe expostickers.org

A tal da responsabilidade não é um tema, é uma ação. Essa da qual se fala hoje em dia é um grande blefe. Tanta preocupação não passa de assistencialismo para marketing. No meio de tantas cadeias publicitárias, uma nova forma de independência despreocupa: há mídias independentes, sem uma intenção imposta.

Pode-se dizer que esta coleção já veio pronta: o que estava parado esperando para ser visto só precisava ser transportado para outras dimensões. O sticker é um manifesto que só vê quem quer, não tem lugar fixo, correntes ou partidos políticos e está sempre disposto a indagações. O lamb e o stencil são igualmente consideráveis, servindo como parceiros do sticker.

O aproveitamento de recursos é o centro da vontade do artista de rua; o aproveitamento do espaço, com consciência. Pinturas, intervenções cênicas, danças e outras peculiaridades não deixam de estar no mesmo patamar da sticker art, com grupos diferenciados. Não é um mundo de reconhecimento, mas de ações.


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Colhendo outros textos: Clarice Lispector

RESTOS DO CARNAVAL (CLARICE LISPECTOR)

Em Restos do Carnaval, Clarice Lispector relata sua saudade da infância e dos mistérios que ela lhe trazia. A partir do último Carnaval, lembra-se de outros passados e um em especial, quando tinha oito anos de idade ainda. Ela tinha certo encanto pela festa, mas nunca participava muito, se contentava com pouco: ficava a olhar o povo na rua, armada de confetes e um lança-perfumes.

Nesse Carnaval, o acaso lhe deu uma fantasia de rosa. Eram as sobras da fantasia de uma amiga, e não era por isso que ela sentiria-se humilhada, pelo contrário, estava ansiosa para vestir uma personalidade que a tirasse de suas preocupações por alguns instantes. Enrolou-se no papel crepom, que representava as pétalas, e cacheou os cabelos, que eram naturalmente lisos.

Sua mãe, que já vinha mal de saúde, teve muitas pioras. A melhor festa tornou-se melancólica e a rosa que ali estava parecia não significar mais nada. Ela indagava-se por que o destino haveria de ser tão irracional, na rua refletia. E o pequeno ato de um menino, que a reanimou com um inocente sorriso, era o espírito de Carnaval novamente. Mais do que um simples gesto, foi uma forma de sentir-se especial.

PARA ENTENDER RESTOS DO CARNAVAL

Clarice Lispector denuncia muitos fatos e muitas indagações de sua vida nos seus textos, mesmo que não sejam reais. Foi precoce em muitas áreas, mas sempre preservou um lado infantil, que não perde certos sonhos. Tem admiração pela vida, mesmo considerando-a misteriosa e preocupando-se demais. As entrelinhas dos textos são facilmente percebidas pela intuição do leitor e nem tanto pela racionalidade, pois representam sentimentos comuns e indecifráveis de toda alma humana.

Nasceu na Ucrânia e mudou-se para o Brasil com a família ainda quando tinha dois anos de idade. Sua mãe sofria de paralisia e a família era grande. Clarice graudou-se em Direito, foi jornalista e publicou muitos contos e crônicas em jornais brasileiros. Teve filhos, os quais diz serem uma das três razões para viver. As outras são escrever e amar. Viveu bem, sem romantismo demasiado e sem medo demasiado. Ensinou e ensina aos leitores e aos próprios escritores que as palavras não exigem pudores.

Texto 3: Soneto de Desamor

É o que os poetas dirão se eu amar
Tudo a dizer sobre os velhos poetas
É que se acham pessoas completas
Sentem que sempre farão despertar

Tiram de mim o sentido do olhar
Sempre dispostos a ter ilusões
Matam os corpos com seus corações
Tentam conter o barulho do mar

Hoje eles gostam bem mais de outros temas
Falam de amor sem nenhuma nobreza
Como se fosse uma tese a estudar

Quando eu mostrar os meus curtos poemas
Cheios de rimas com pouca riqueza
Eles dirão que eu só sei desamar

Texto 2: Um Dia Após Outro e Antes de um Outro


Hoje o dia amanheceu nublado, ameno. Parecia mais um dia em meio aos outros, e foi mesmo. Perdi mais um emprego e ganhei mais uma história para contar aos netos que não terei.
Fui ao banco pagar minhas contas e entrei no limite do cheque especial. Para melhorar tudo, encontrei a Tânia, minha ex-chefe. Ela foi tão simpática que até parecia ironia.

_Oi Carlos, tudo bem? Que bom te encontrar aqui! É que...
_Se tá tudo bem? Hahaha! Depois de você ter me despedido ontem tá tudo ótimo. Olha o tanto de contas que eu tenho pra pagar e nenhum dinheiro!

Pronto, o barraco estava armado. Fiquei nervoso e descontei todas as minhas raivas naquele instante, xinguei a Tânia de todos os nomes que eu sabia. Todos que estavam na fila do caixa ficaram olhando e, então, ela se retirou. Quando chegou a minha vez de ser atendido, fiquei mais nervoso ainda, mas contive a agressividade. Não havia saldo em minha conta corrente e tive que pedir um empréstimo ao banco.

Passei a tarde toda na rua, gastando os poucos centavos que me restaram. Cheguei em casa cerca de sete horas da noite, estava arrasado. Minha esposa estava desesperada com uma ligação que havia recebido do banco, dizendo que a Tânia tinha me acusado de agressão física e possuía testemunhas.

Não sabe com quem mexeu, coitadinha! Fui até a repartição e lá estava ela, que nem me viu. Desta vez, eu não tive nenhum ataque, fui direto ao ponto. Arremessei minha faca de duas pontas nas costas dela, bem em em direção ao coração. Matei. Na frente de todos.

A polícia chegou imediatamente e me colocou aqui nesta cela suja. Há 20 minutos atrás, minha esposa veio me visitar. Ela estava tão feliz e disse tudo o que planejava: a Tânia, na verdade, havia ligado para me redimir.

Minha esposa era louca, não queria que eu ficasse distante dela por um segundo, não queria que eu trabalhasse. Desta vez, não precisei nem de faca. O cadáver dela está aqui e o guarda ainda nem veio buscar. Bom se eu pudessematar alguém todos os dias!

E a minha pena só aumenta...

Texto 1: A Arte de Escrever

Comunicar-se não é tão fácil quanto simplesmente combinar palavras. Nos vestibulares e concursos, todos têm medo das redações, isto porque abordam conteúdos opinativos e serão avaliadas por outras pessoas. Mas escrever não é necessariamente comunicar-se, não é preciso que se escreva para alguém.

Quando não se fala pessoalmente, existe uma máscara, ou um espaço para ser si mesmo, escondido por trás de sua assinatura. As palavras tornam-se imagens quando se faz delas uma arte, e passam a não precisar de maiores explicações. A arte está na expressão, na vivência e na intuição, não só nos quadros. Escrever para si também pode ser um bom exercício, pois os erros analisados serão os próprios, não os alheios.

O medo que as pessoas têm não é da gramática e da ortografia, é do que são capazes, só as usam como desculpa para atrofiar habilidades e escrever somente quando necessário. Na linguagem oral, o condicionamento a não expressar agressividade censura o que elas realmente querem dizer, o que sentem. A escrita permite que se desenhe no papel, desde que seja dentro das regras, que podem ser inventadas pelo próprio autor.

Tanto a comunicação como a escrita para si consistem em uma quebra de padrões. Quem não conhece os padrões textuais não tem como quebrá-los e quem não tem vontade de quebrá-los é porque não os conhece. A escrita é só o primeiro passo para o autoconhecimento. A comunicação é um passo para o conhecimento do outro. As duas andam juntas, mas não são a mesma coisa.

Como não poderia deixar de ser...


Fiquei pensando naqueles "maravilhosos" (irônico) textos de fim de ano: agradecimentos, expectativas, previsões e desejos. Resolvi, então, começar uma bateria de textos não entregues nesse último bimestre de aulas. Foi um período de muita interatividade com os professores e, ao contrário do que eu pensava, de nostalgia e lembranças, em todos os sentidos. Então, vamos colher as palavras!

Para quem leu a postagem anterior:

(Quem não leu, certamente irá ficar curioso, pois é quase uma introdução ao texto que segue.)

Minhas conclusões sobre a TV Digital podem ser um pouco precipitadas, mas acredito que esse assunto ainda vai render muito. A primeira transmissão não tem nem um mês ainda e não sabemos se o sistema vai dar certo mesmo. Abaixo segue um texto sobre a interatividade da televisão digital, retirado do blog TV Convergência (link no final do artigo).

"Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

O Ginga agora é AstroTV
Pra quem ainda não sabe o que é o Ginga, vamos às apresentações. Ginga é o middleware, espécie de software (mas precisamente uma camada de software intermediário), que permitirá a interatividade na TV Digital, pois é ele quem permite o desenvolvimento das aplicações bem como seu funcionamento na TV. Ele foi desenvolvido por pesquisadores da PUC do Rio e pela Universidade Federal da Paraíba, e na estréia da TV Digital ainda não estava disponível para uso comercial. Pois bem, feitas as apresentações, vamos aos novos fatos. Hoje, lendo a Folha Online, me surpreendi com a notícia de que a Gradiente, em parceria com a TQTDV promete lançamento de conversores com interatividade até março de 2008, e o nome do middleware que será usado é AstroTV. A princípio uma ótima notícia, finalmente teremos conversos que suportam interatividade, finalmente a TV Digital fará mais sentido. Porém o nome do middleware me causou estranheza e surpresa e lá fui eu pesquisar mais a respeito. Acabei descobrindo que o tal AstroTV nada mais é do que o próprio Ginga, que foi vendido pela PUC para essa tal empresa. Para muitos isso parecerá uma má notícia, afinal, uma tecnologia totalmente desenvolvida no Brasil e na raça por pesquisadores agora caiu nas mãos da indústria. Mas na verdade, a notícia é ótima para a TV Digital brasileira. A empresa TQTDV investiu 8 milhões de reais para terminar de desenvolver o Ginga, dinheiro que, acredito eu, demoraria muito a chegar aos pesquisadores; e acabou apressando a chegada da interatividade na TV. Se o Ginga, agora AstroTV, continuasse como estava, a interatividade demoraria e muito a ser uma realidade, agora, pelo menos, já vemos luz no fim do túnel.

Texto: Debora
Postado por tv digital às 22:08"

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