quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cereja Sensações... hmmm!

Mais quantas vezes deixarei de escrever? Mais quantas vezes deixarei de sair porque já são 20 horas? Cada semestre começado são novas metas e promessas. Cada semestre passado é a parede ainda vazia, aquilo que não deu tempo, o futuro ainda por vir, sempre. Cheguei ao apartamento há seis meses proclamando que “daqui a um mês ela já estará cheia de stencils!”. Agora está lá o leão que qualquer hora não terei dó de apagar, meu pequeno mascote.

Hora de conclusões, prospecções... Paris, Porto Alegre e Gramado poéticas. Hora de pegar no tranco outra vez, de gauche à droite e de droite à gauche, Carlos! Tudo meio sonho, acredito apenas nas fotos. Contatos de pessoas reais quase nada. Uma nunca aparece on-line, outra não atende o telefone, mais um que é um perfil adicionado no Facebook, tudo meio mentira, meio vácuo.

Ainda não sei viajar direito. Esses acontecimentos todos me soam tão desvinculados da realidade, e que realidade é essa se não cada segundo em cada lugar? O que me prende então? Não é que “quando não se tem nada a deixar, não se está deixando nada para trás”? Duas ou três peças dessa realidade esquisita separadas por doze horas de sono ou de delírios. Num avião ou num ônibus. Dias cronogramados pelo passo para onde os pés levarem, apenas acordam os dias e decorrem os caminhos.

Para a poesia, a cretinice da vida: contabilizar. Uma lesão no pé, uns centavos de euros, um pouco mais de sono dormido, doze horas como a esquina, um coração quebrado, uma garrafa ecológica, dois mochileiros indecisos, um grupo de oito familiares, uma família vezes 2, um belvedere, quase uma memória perdida.

Pouco acredito que desenho no Corel, e o lápis me serviu apenas para anotações. Falo disso como se outra vida, porque não vejo o espaço passar na janela. Eu acredito na janela e no lápis. A janela para o que passa, o lápis para o que fica. Vi muita arte, muita graça e neblina. Mentira meio branca como papel branco. Gente meio negra como papel negro de grafite, e vestida colorida de cetim, como caneta colorida de cetim. Mulheres cobertas com tecidos e bolsas, gente comendo na rua, saias com bicicletas, gente de chinelo e de sapato, falando enrolado.

Há seis meses, não previa tais acontecimentos. Assim como há seis meses dos seis meses, nem o pequenino leão eu tinha. Quem vê assim, vê muito... E do agora pra frente, quero o muito sempre. Cada vez dessas é uma promessa, é uma meta. Se cumprir metade delas e adivinhar que descobri x vezes mais surpresas fora do roteiro, fico mais feliz com os desvios do que com a eficácia das promessas. Alguém que espera descobrir surpresas não está muito bem da cabeça, mas está melhor do que procurar mistérios em tudo, está levando ou prevendo, pode apenas sentir o cheiro das coisas (...)

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