Começando uma conversa com "eu sinto muito, mas..." significa uma conversa interminável. Ainda que termine, a vida é a mesma. E ainda que mude, continua a mesma e não preciso de um novo blog para dizer que mudei.
A física e a matemática ajudam, ainda que poeticamente. O terror dos pássaros e as ficções de suicídio sempre dão uma veracidade maior aos dramas reais. Ainda havia muito no que pensar e só passo noites tirando licença poética. Os papéis continuam esperando os rabiscos, se fossem rabiscos o que o público quer ver.
Mas eles realmente não estão interessados em decifrar decifragramas subjetivos feitos especialmente para ninguém. O público ainda procura romance barato e circo disfarçado, noções de felicidade e críticas meio que bem feitas.
Se alguém continuar a me perguntar se não estou bem, só vou responder a quem realmente esteja interessado. Se alguém vier me chamar pra dançar esta noite, digo que eu prefiro ficar sozinha ouvindo aquela maldita música do Arcade Fire, do que cair em prantos nos ombros de potenciais falsos amigos. E obrigada, dó não ajuda ninguém.
Em algum texto passado, "ganhei uma hora de bônus". Neste, perdi uma, mas o que é uma hora perto das tantas outras chovendo? Os pássaros não irão me salvar, mas apenas poder ver que eles estão lá na praia fazendo seu vôo amanhã, irá confirmar que algo continua em seu lugar. Que ainda há algo que me conecta com este chão.
É preciso força. Para não confundir os tempos, ou achar que eles existem, presente-passado-e-futuro. Ou não ficar em um deles. E não acreditar só nele. O tempo está numa espiral, te suga como uma força centrífuga, sempre para a profundidade das coisas. Mesmo que não seja isso que a física diz. A máquina gira com suas roupas, faster and faster, precisa sair dali, lose control. Esse é o tempo, até que a máquina não possa se controlar o suficiente e saia da tomada. E voe, e atinja o incolor mais frio e branco veloz. O furacão a solta e ela levanta vôo, na verdade, arremessada para cima.
É isso, ao invés de "se jogar". Eu não sou um kamikaze. Meu objetivo não é cair de um prédio, é sair do térreo. E se você puder me ajudar com força, não com dó, eu digo força, não palavras de consolo. De palavras já entendo o suficiente para afirmar que elas não prestam. Os rabiscos me esperam por enquanto.
domingo, 16 de outubro de 2011
Força versus tempo
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