segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dramaticamente falando

A dor no estômago e o sono não me deixam despertar tantas emoções fora irritação. Saldos, conclusões? Não sei, mais recomeço e força para continuar. Projetos, objetivos, etc. Um cachecol que discretamente pula da gaveta, a gaveta mais de baixo do armário. Garrafa amassada, com muita história pra contar, pontinho verde na escuridão branca e cinza, fashion colors, inserção de hábito de consumo. Cada objeto que vai compondo essa história: um preto velho, licor, cachaça não, color, colarzinho, preguiça de pelúcia, o moletom que esqueci em cima da cama e a coberta que acabou de voltar da lavanderia.

Fashion couro do cangaço, mochila de retalhos, rock lobster, a cama que passou a noite intocada com um bilhete carinhoso. A almofada na mochila, a conversa alheia, a vontade de sentir o abismo. Diferentes chocolates, história, peso, barroco, santos com caveiras, o candelabro, o balcão – olhar para cima, bam! O lustre a cair em ângulo reto, partir minha cabeça exatamente ao meio. A origem da simetria, do arabesco, da curva da serra e da martelada na pedra.

A velocidade das coisas... então, coloquei um outro lenço sobre aquele cachecol na gaveta, o que não foi muito possível. Ela me espera ali fechada e a garrafa em cima do balcão colorida. Sim, a boneca de juta! No belvedere, olhar por oitenta segundos e fechar os olhos para fotografar na memória, junto com a respiração e o som. A gente pára no meio da estrada gratuitamente, não que se deva chegar em algum lugar. O que menos quero é ver.

Há de se provar com conversa. A objetividade matemática a + b poupa tempo e sofrimento, põe algum ar no seu pulmão. O cheiro do perfume some nos cachecóis guardados. Quantos objetos de design, esses dois piercings! Perdi o chocolate de blueberry. A blusa do gato Félix, onde? Que lembranças eu tenho? Qual esses objetos tomam vida? Olhar para o passado e o futuro com o mesmo carinho? Ê, tempo! Que demarcação bestial ele, um lembrete de não perdê-lo, de corrê-lo, quase de socorro.

Tenho um caderno, um cachecol, uma garrafa e engraçado, são parecidos, camadas de cores e listras, com um detalhe vermelho. É um asterisco, de tudo simbólico. O amassadinho da garrafa e os dois do carro. Que mau cuidado com as coisas, mas estou mais aí para o que tenho com elas. O baixista, o cachimbeiro e a lagosta baterista. Naquele dia, vou acordar e tirar tudo do balcão, vai virar em desenhos, croqui atrás do boleto do banco, nada extremamente inspirado, mas [dizem] criado. Está pronto!
De uma coisa eu sei, da outra não.