segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Jenny Holzer

Há tempos eu já conhecia a artista americana. Procurando pela frase "Protect me from what I want", deparei-me com em um enorme painel luminoso, em Los Angeles. Bem típico de adolescente estudante: eu vinha escutando Placebo na época. Pareceu um grande mistério a coincidência entre as palavras deles e dela, mas depois a relação foi se estabelecendo.

Não é somente intervenção urbana. Qualquer termo que quisermos aplicar à arte de Jenny Holzer não será tão político quanto o sentimento de verdade que temos ao ver suas obras. É, realmente, uma forma de arte bem estruturada e que requer fundos e apoios, mas não se trata de desperdício de recursos ou formação de redes políticas.

O Placebo perdeu o efeito, mas Holzer permaneceu, aquietou-se um pouco e voltou à minha mente ontem. E a relação foi se rompendo...

Encontra-se desde projeções LED em monumentos até objetos de decoração e camisetas com as palavras da artista. São escritos, em sua maioria, em Inglês, podendo aparecer em Espanhol e Português. Alguns de seus trabalhos já foram expostos no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, em 1999. A mostra, entitulada "Proteja-me do que eu quero", também teve uma versão menor em São Paulo, no Sesc Vila Mariana, da qual foi publicado um catálogo e gravado um documentário.

Mais informações:
http://www.barbarakrakowgallery.com/contentmgr/showdetails.php/id/328
http://www.museuvirtual.org.br/targets/cafe/targets/panorama/targets/jennyholzer/targets/expo_rio/languages/portuguese/html/mostra_ccbb.html

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Estilismo e objetivos

Não estou simplesmente colecionando figurinhas para adicionar aos favoritos. A fase que vivo tem me obrigado a expermentar novos tipos de socialização, o que não é tão ruim. Apesar de rejeitar o profissionalismo dos autores que tenho estudado, compreendo a forma das obras, mas não fingirei entender os pensamentos. São tantas técnicas novas e abolições delas que me entusiasmo; desperto.

Meu cérebro começa a processar de diferentes formas os mesmos vocabulários. Os significados dos termos não são exatamente como meu processamento, mas design se torna cada vez mais diferente de desenho, moda cada vez mais diferente de fashion, street de rua, maiúsculas de minúsculas e por aí vai. [Me vejo pensando nas próximas coleções: fogo, isqueiros, etimologia, menos design e mais rabiscos.]

Na verdade, essa coleção (sobre stickers e lambs) nada mais é do que uma descoberta do design e dos designers. Há tanto tempo observando as imagens nas ruas, colando ingenuamente, precisava de um estímulo para entender minhas próprias ações. Não precisei entrar em processo de escolha de um tema, eu já procurava uma abertura do meio que vinha descobrindo, e não foi nenhuma idéia genial.

Diante das descobertas, meu trabalho se torna tão amador, mas continuo gostando dele. É o processo que me interessa, o sentimento de não propriedade dos "filhos". Toda essa busca da sociedade pela experiência tem se tornado um objetivo falho para constar nos currículos, por isso é o amador que me interessa, mesmo sendo ele profissional. Em parte porque o faço e em parte porque crescerá, ainda será difundido. Não se torna uma prova de capacidades, pois é uma busca do entendimento dos processos e de todo o resto...


Foto: Avenida Marechal Floriano Peixoto, esquina com Engenheiros Rebouças, em Curitiba.

domingo, 28 de outubro de 2007

Bloco de Notas

"Não é uma coisa de pequenos detalhes,mas é um recorte clássico que permite pequenasmodificações. Essas modificações é queinfluenciam no arredondamento de algumas formas,pois cada uma exige uma reação e uma causa do tecido. As formas, na verdade, são o arriscar do tradicional,sem ter medo de acabar fugindo dele. Ousadia discreta. Brincadeira de gêneros. Silhueta da grande mulher miúda.Valorização do tronco e dos pés. Poucas estampas eaviamentos escolhidos para a textura certa. Perfeccionismo nos movimentos e dos movimentos. Bem explicado e sem frescuras."

Refere-se a Glória Coelho.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A não influenciável vem lhes dizer o que é verdade

Finalmente concluí minha pesquisa de tendências para o inverno do próximo ano. Não só essas, mas acabou saindo uma grande lista de macro tendências e comportamentos. Engraçado como pareço radical, e nem levei o assunto tão a fundo. Pouco experiente, ainda me expresso mal, não sei como reagir a certas idéias comuns, mas sinto cada vez mais que posso fundir conceitos, não somente transportá-los entre as áreas.

Entre os anos 60, 80 e trabalhos manuscritos, procuro a Moda, não como ela é, mas como quero que seja. Procuro a falta do que procurar. Algo me estimula muito, talvez o medo de que o ânimo se esgote, ou a previsão de que toda essa idéia explodirá. Tenho como aproveitar meu abstracionismo e ainda não sei como; me disseram. Todos os meus pensamentos se voltam para a criação, mas ela nunca se concretiza. O look nunca estará pronto? Todos os trabalhos finalizados são somente uma etapa? Todas as coleções com todos os trabalhos? Mera salvação? Que pode durar algum tempo...

"Diga-me quando sair o divórcio, pois é hora de ser promovida."


domingo, 14 de outubro de 2007

Tum Tss Tah



A música é uma das coisas que me faz correr. É engraçado, porque eu não costumo ler revistas sobre o assunto, não me encho de informações e ela está sempre ali me esperando. O convívio me fez perceber que é muito melhor conhecê-la observando-a, depois quem faz.

Deixando as reflexões de lado, quero falar de um som que gostei: o Tum Tss Tah. Prefiro não comparar com nada, mas tenho a mesma sensação de quando escutei The Soft Pink Truth ou Tangible. Não que a sonoridade seja parecida ou tenha alguma relação real, mas o significado é aquele de descoberta - é isso que eles têm em comum.

O Tum Tss Tah é um quarteto paulistano que conta com influências diversas nas suas experimentações. O fato de eles usarem macacão branco e tocarem de costas me fez hesitar um pouco no início, achando que se encaixariam no esteriótipo dos sons misteriosos e depressivos. Até há uma certa presença de suavidade e mistério nas "onomatopéias" criadas pelos instrumentos eletrônicos, mas a música se encaminha de várias formas.

É algo muito particular eu esperar a guitarra na música para sentir o que ela propõe, parece que ela fala minha língua mais do que os outros instrumentos. O Tss usa melodias simples e, ao mesmo tempo, parece gostar de arpejos trabalhados, sabendo usá-los sem poluir a música de frescuras.

Flávia Gasi escreveu um artigo sobre a banda na coluna "Acontece...", da Rolling Stone número 12 (setembro de 2007) e foi o que me despertou a curiosidade de ouvir. Ela diz: "A base eletrônica não tem função de fazer dançar ou contar história.", e adiciona: "Ao vivo, a aposta é no visual, pela projeção de vídeos improvisada. A captura e a produção de imagens são feitas antes do show, mas a seqüência rítmica é feita na hora.".

Esta edição da Rolling Stone está muito eclética e não cabia em minhas expectativas encontrar algo que me interessasse além das páginas da revista, em parte por Ter a Grazi Massafera como capa. Eu estava mesmo interessada no artigo sobre o Iraque e ainda nem cheguei lá.

Outra banda que me interessou nessa edição foi o Nouvelle Vague, que toca músicas punk e post punk em ritmo de bossa nova. Encontrei no Soulseek versões que gostei, como Teenage Kicks (The Undertones) e Love Will Tear Us Apart (Joy Division), mas eles não foram felizes ao tocar Bizarre Love Triangle, do New Order. Não sei o que tem de errado com as versões dessa música, mas a única que conseguiu manter o bom vocal na execução foi a Pitty, mesmo cantando a letra toda errada. Risos!
Essas músicas todas me lembraram as minhas idas à casa do Guitardo, quando ficávamos em frente ao computador vendo os absurdos que as pessoas falam no Orkut e vídeos sem sentido que aparecem no Youtube. Até hoje tenho gravações que planejo editar e sempre ficam do mesmo jeito. O Tum Tss Tah representa essa brincadeira de sons e ritmos, bem produzida, obviamente. Me faz continuar acreditando na música espontânea...
[Booooom, o blogspot não me deixou formatar direito o texto!]

Começando pelo começo...

A Arte de rua, a Moda, grandes 'rolês', posso até sentir que tudo isso é uma fase, mas estou procurando escrever além disso e, mesmo assim, para tudo isso.Afinal, para que estou aqui senão para falar sobre o que me faz correr e sobre o que me pára?
Nos meus textos, tenho deixado a palavra simplesmente ser, tenho falado muito sobre ela própria e aquilo que ela me representa e deixo ela falar por si mesma. Não me sinto incomodada por isso. Quero explorar a linguagem em todas as suas formas e essa possibilidade me faz gostar do que faço, gostar de construir e desconstruir palavras. Cheguei no ponto de usá-las como instrumento, uma faca que foi bem afiada.
Não quero ter o primeiro post desse blog apenas falando sobre elas, mas do amadurecimento que elas têm me proporcionado. Não é tanto um amadurecimento de ideais, mas do ato de escrever: diz respeito àquilo que gosto ou não e a responsabilidades que quero ou não assumir.
Ultimamente, tenho me visto descumprindo compromissos, rompendo laços, levando uma menor quantidade de assuntos a sério e até deixando o futuro um pouco de lado. Não escolhi ser seca com as pessoas ou bloquear certos pensamentos. Pelo contrário, essa sensação de estreitamento faz parte do crescimento, e flui.
[Quero ter a boa capacidade de concluir esse raciocínio,como geralmente se faz no textos claros e coerentes, e vou tentar fazê-lo, mesmo caindo nas garras do sono.] O ato de escrever tornou-se um grande ritual, às vezes amedrontador, mas nunca desprazeroso! Ao lembrar-me de todo esse universo que a palavra me deu, a minha vontade de escrever é ainda maior, e a de ser lida também.
É hora de reforçar minhas características para que elas possam ser úteis. Trocar planos por ações, interdições por discussões. Espero que minhas publicações sejam proveitosas, mesmo que, às vezes, em tom introspectivo e misterioso.
Direi de todas as formas, até que todos entendam, o que as palavras não dizem.