As palavras, ah... elas não dizem nada!
sábado, 18 de agosto de 2012
domingo, 5 de agosto de 2012
Vou engolir esse último semestre como quem engole uma faca e sobrevive!
Esse é um post útil, já vou avisando. Vou falar de algumas
coisas que vi nessas “férias”, começando pela palestra do Mauricio Ianês que
assisti ontem. Prova que é bom abrir seus e-mails de vez em quando e aceitar
convites sem saber onde vai dar. Nessa onda de não saber o que vai dar,
aproveito pra observar quantas pessoas já me disseram ter caído na moda por um
acidente – ah, esses (in)felizes acidentes. É o caso do Maurício, da Lu, da Jô,
até da minha mãe e da minha irmã, uma designer e a outra modelo por acidente.
Então. Na palestra ele disse algo como [minhas anotações
m.a.]: “moda é sempre conceito, ainda que o conceito dela seja a venda, esse é
um conceito”. Aquilo que normalmente se chama de moda conceitual, ele prefere
chamar de moda expressiva, já que conceitual toda moda é. Quer dizer, toda moda
tem um propósito de existir, isto é um conceito. Estou usando explicações bem
dicionáricas, porque fiquei muito influenciada por um post do Bolívar Escobar
essa semana... Este menino explica de um jeito só dele a função de artistas,
cientistas, malucos e designers nesse planeta humano, como nesse trecho: “Os cientistas só
devem estudar aquilo que faz parte do universo. O que não faz deve ser estudado
pelos artistas e pelos malucos. Obviamente, as coisas mais legais são as que
não fazem parte do universo, e por isso os cientistas tentam muito provar que
na verdade elas fazem sim.”. Poderia dizer que nós, modistas mortais, temos um
pouco de cada, e através desse texto poderia até explicar como toda essa gente
que eu disse que veio parar de “gaiato” na moda, como o Ianês.
Do Ianês também veio a melhor justificativa sobre a
diferença entre moda e arte que já ouvi [m.a.]: “não é preciso chamar a moda de
arte para elevá-la, ela já tem seu
próprio valor cultural”. Ainda que haja o diálogo entre as duas, ele pode ser
duvidoso às vezes. E aí ele disse que seria muito a favor de usarmos uma
expressão como “oh, que obra de moda!” diante de uma roupa, ou uma roupa
escultórica, similar ao “oh, que obra de arte!”. Acho válido, um pouco ode à
moda, mas funciona pra ver se o povo entende que não é bacana cooptar a arte
superficialmente como uma muleta pra sua falta de criatividade, pra sua falta
de vontade de se aprofundar nas coisas – quer dizer, ser um turista louco pra
conhecer o Cristo quando visita o Rio. Não que seja pecado, mas faz sentido
usar isso se as duas têm valor igual, vai de você fazer seu roteiro de viagens:
viagem-cópia, viagem-pesquisa, viagem-turista, viagem-sabática. Tudo isso é
Ianês.
E tudo isso me lembra da velha história de que não usamos
nem x% da nossa capacidade cerebral. Da intuitiva também, mas o assunto é
outro. E o que é a moda senão o cúmulo da superficialidade? Vou dizer o mesmo
que sempre digo a um amigo que uma vez me mandou “ficar lá com meus amiguinhos
fúteis da balada”: nem tudo é a profundidade do ser. Não tente ler coisas onde
não está escrito, e não venha me dizer que On The Road é uma fábula sobre a
morte ou o valor da vida. É sobre ficar louco de benzedrina e encontrar várias
pessoas. Não sei, essa foi a minha explosão de hoje – pros mais revoltadinhos,
posso fazer um post arrebatador sobre o livro – foi pra ilustrar a minha
didática de espontaneidade. Mas voltando, o comercial também é um conceito. Tio
Walter e tio Francis devem ter se divertido muito torrando suas fortunas nesse
filme, afinal eles não visavam o lucro né? Imagina.
Pra colocar mais palha (é palha, não lenha, porque a palha é
minha) nessa fogueira, é pra isso que está aí o VIII Colóquio de Moda, evento no
qual este ano aposto mais do que qualquer Pense Moda ou Casa de Criadores.
Respeito muito todos, mas aqui estão as minhas apostas. É pra isso que está aí
o Walter Rodrigues quietinho e também viajando no setor calçadista. Apesar de
achar que a briga Walter vs. Maurício/Alexandre seria fervorosa no quesito
“brasilidade”, ambos estão cumprindo aquilo a que se propuseram: causar o
desconforto, aquela queimação no esôfago, aquela sensação de
estranheza, a mesma que tive quando vi a Lu Glaeser falando apaixonadamente
sobre seu mestrado Crepuscular (sim, o mesmo Crepúsculo best seller dos
livrinhos e das telonas). Adoro usar esse exemplo, porque parece que esqueci
dele e não entrei fervorosamente na “moda-acadêmica” nem estou sedenta para
fazer uma straight-emo-pós-graduação. Não agora, mas não esqueci.
Deus, ou Rei (Kawakubo), sinto que pequei por ter tanto medo
de modelagem ao longo desses quatro anos, e concordo que experiência é muito
melhor do que divagação. Estou me ferrando com os casacos e blazers e letras
tridimensionais contorcidas, mas vou engolir essa faca. Se eu ainda escreverei um livro? Sim, mas ainda vou viver um pouco o que quero escrever. Essa
mania de achar que nunca terei aprendido o suficiente para publicar algo vai
acabar. Porque nunca terei aprendido o suficiente mesmo. E YEYYYY, este é um
fato importante, está aqui a prova. Divirtam-se com meu artigo de Iniciação Científica “O movimento emo no Brasil: surgimento, ascensão e popularização de
ídolos musicais através da web”.
Volto a dizer: experiência é melhor do que divagação, ela te
dá finalidade – às vezes, muitas vezes, eu divago, mas no artigo me contive. E
nesse texto oh, também, ele tem um propósito: mostrar para quem não sabe do que
estou falando o que vim fazer aqui, o que é essa sensação de desconforto. Podem
rir do emo, até deixo. Mas depois a gente senta num boteco e eu te faço ouvir
Fresno, assim como a Lu me fez ver “o filme dos vampiros adolescentes lá...”. Pra você que prefere a Buffy só porque é mais
anos noventa, iria rever esse conceito de vintage. Pra você que tá se achando
velho com 21 anos, vish. A gente sempre tende a criticar o que está acontecendo
e ser mais tolerante com o que já passou, tudo vira um clássico. Já já o emo
será retrô, mal posso esperar... Não estão aí de volta os hipsters dos anos
quarenta e a coleção Pokemón by Gloria Coelho? Clássicos, bichetes, e nem faz
cem anos.
Mudando de seis pra meia dúzia, já que o assunto continua o
mesmo, o Maurício diferenciou bem didaticamente o que é ele-artista e
ele-stylist. Pois é, moda e arte. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra
coisa, e por isso têm nomes diferentes. Falando é fácil, fazendo é difícil, já
que a gente é uma pessoa só num corpo só. Deve ser por isso que eu não consigo
ser só artista, nem só designer, e por isso nunca me acharei nem uma artista
nem uma designer completa (ignorando bem além o fato de os alunos de Design
Industrial aprenderem o triplo de softwares do que nós modistas mortais). Mas
deve ser por isso que escolhi essas duas/três coisas: nem o design, nem a moda
nem a arte sozinhos abrangem tudo aquilo que desejo. Nenhum dos três é “assim
tão profundo”, nem os três juntos – e volto à questão do meu amigo: estarei eu
procurando esse tal mistério da profundidade das coisas?
A resposta pra essa pergunta é sim e não ao mesmo tempo. A oscilação entre sonho e realidade, a opinião entre ignorância e ciência, os meios entre o sim e não, todos os contextos.
Tenho questões existenciais nesse texto, é. Mas ele é prático e realista, não esquecendo a finalidade dele:
dizer que não estou de brincadeira. Apesar das piadas infames, ah eu não estou.
Posso até dizer que brinco. Eu rio na cara do perigo, hahaha! Tadinho de quem me falou
pra não levar a moda (e todo o resto) tão a sério. Mais uma vez, a música do
Ludov vem a calhar: por que você se leva tão a sério?
Aí você começa a entender o que é sair da faculdade com mais
perguntas do que respostas. Não as mesmas do começo, mas são cada vez mais
perguntas, conhecidas como questionamentos.
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