Apaixone-se! Ou... apaixone-se de novo.
Condicionada pelo “ter-que-escolher-mais-um-tema”, venho cuspir aquilo que mais gosto: um som.
O desastre, esta coisa nos impede, nos amedronta, destrói nosso mundinho de prioridades, abate o convívio social. Mas quem somos nós para dizer o que tem relevância? Somos tantos assim, pequenos bilhões de gente? Qual a culpa da chuva no asfalto? Que o destrua! A vida não nos pertence, o maior desastre natural somos nós.
Diante da atualidade, a coisa que mais gosto: outro som, Muse – Love is our resistance. Resistência do quê? Para quê? Agora devo ser mais cética do que nunca ou acreditar mais do que nunca?
O corpo da música, as inquietações... O ser humano não saberia falar de outra coisa além de si mesmo na música – ainda que egoísta, são as inquietações que o movem. Não é nem mais nem menos digno do que o pássaro, que canta porque a música lhe pertence. Canta como respira, para expressar nada.
A música instrumental é a simulação do pássaro, na qual cabe ao resultado uma interpretação, uma emoção, que nenhum compositor sabe ao certo como tomou corpo, só sabe o que quer dizer cada vez que toca. Coincidentemente, é onde encontro mais intensidade...
É aqui que quero chegar. Quero sentir, viver intensamente, por mais chavão que seja o termo. Não significa exagero, radicalizar, conhecer tudo. Intenso é somente o fato de não esperar mais – our time is running out.
Que, ao fechar os olhos, eu sinta tudo se corroendo, qualquer fusão sinestésica. Não quero um absurdo fantástico. Somente que, ao abrir os olhos, consiga ver uma nova cor... e a sensação de poder fechá-los outra vez.
Vim falar de uma música específica, sensorial além dos ouvidos, traduzi-la em calor e imagem. Aquela do apocalipse individual, que renasce em bilhões de cores. Da briga, da adrenalina, da crítica, do fim, do recomeço, do rompimento, da paixão, da reconciliação. Um símbolo simples, uma voz que estoura o peito, se confunde com a guitarra.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Apaixone-se
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Um comentário:
Cetiscismo é o que faz mais sentido.
Mas no fim, não somos livres das sensações quimicas. Enfim, somos os Romances Químicos.
O segundo 'enfim', é que talvez a Resistência seja apenas a de negar tudo isso, e ligar um 'Foda-se' bem grande pro resto. A resistência ao resto.
E que se foda o resto.
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