Me tornei um ser idiota, engolidor de cultura, obsoleto em certos aspectos. Moro em um prédio onde há bar, piscina, sauna, academia, reuniões para discutir a decoração de Natal. Tenho vontade de ir ao shopping degustar o desgosto no mercado que há lá dentro. Tomo cerveja, sento no boteco, finjo que rio, estou cercada de pessoas bem vestidas e proprietárias de carros.
Tenho casa própria. Tenho uma guitarra que não toco. Tenho vontade de fazer nada, alienar-me, contar as luzes da paisagem. Me acho muito importante e incompreendida. Tenho um computador portátil cheio de erros e perco muito tempo em função dele. Tenho um telefone celular touchscreen que não consigo manusear nos dias mais quentes. Tento me vestir adequadamente para cada situação, me preocupo e não nego.
Espero ansiosamente por uma informação nova que vá revirar minha vida. Espero brotar uma paixão do solo, do nada. Acho que á vida é boa. Faço drama. Sei da novela. Olho daqui de cima a vida lá embaixo e acho que sei como ela é.
Estou lenta, cada vez mais lenta, assimilando o mundo por osmose. Tenho mania de intervenção. Tenho todas as manias que uma pessoa da metrópole deve ter. Acho que sei o que é comida japonesa. Como fora e pago caro. Gasto muito dinheiro por preguiça e suposta falta de tempo. Não encontro tempo para mim, nem para os outros.
Será que eu deveria postar isso? Já não adianta perguntar.
domingo, 15 de novembro de 2009
/fodaseevebari
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Um comentário:
Ser idiota é só mais uma maneira de ser meio normal.. ou talvez normal seja justamente uma maneira de ser idiota... mas nao adianta mesmo segundo aristóteles a resposta está na natureza, observe e vc ve o ciclo... se busca fugir da forma, mas ela persiste em correr atraz de voce... hauhauha... disforme não deixa de ter a forma da disformidade... é so uma questão de assumir a sua.. compre uma ou invente você mesmo.
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